Kylian Mbappé afirmou nesta quarta-feira (16/9) que seus pensamentos estão com a população de Ceuta, mas disse que também quis considerar o sofrimento de migrantes que enfrentam situações extremas ao tentar chegar à Espanha. A declaração ocorreu após uma polêmica envolvendo uma mensagem de solidariedade.
Na terça (15/9), antes do confronto entre Real Madrid e Elche pelo Campeonato Espanhol, os dois times entraram em campo com camisetas com a frase "Todos somos caballas", apelido dado aos moradores de Ceuta.
Mbappé e Vinicius Jr., porém, enrolaram as camisetas na altura do peito, deixando a mensagem parcialmente escondida, antes de retirá-las ao deixar o túnel. O companheiro Ibrahima Konaté apenas segurou a peça nas mãos.
Foi uma decisão dos clubes incluir a camisa, usá-la. Nós, jogadores, tivemos que usá-la. Tenho total solidariedade com Ceuta e todas as vítimas. Porque antes de ser jogador, sou humano. Mas também quis expressar meus pensamentos a todos os imigrantes que perderam suas vidas.
A frase é de Mbappé, em entrevista ao jornal espanhol Diario As. A manifestação de apoio ocorreu depois que mais de 70 mil entradas irregulares em Ceuta vindas do Marrocos foram registradas em julho, provocando movimentos de solidariedade em diferentes partes da Espanha.
"Não é uma posição fácil", diz Mbappé
"Não foi uma posição fácil, foi difícil, porque no fim das contas as pessoas podem pensar que sou contra o povo de Ceuta, mas não, absolutamente não. Não tenho nada contra eles e os apoio 100%", completou o atacante.
Segundo o jornal El País, uma fonte do Real Madrid disse que a decisão de Mbappé, Vini Jr. e Konaté foi entendida no clube como questão de sensibilidades pessoais que não coincidiram com a posição institucional.
Um representante do clube disse à Reuters que o Real Madrid aceitou o pedido do Elche para demonstrar solidariedade pelas camisetas, mas deu a cada jogador liberdade para decidir se usaria a peça.
Presidente do LaLiga chama atitude de "má"
O presidente do LaLiga, Javier Tebas, classificou a atitude dos três jogadores como "má" e disse que o gesto não deveria ser tratado como opinião pessoal.
"São atos institucionais, são atos de clube, não são atos pessoais em que você tenha que manifestar a sua opinião pessoal", disse Tebas.
Tebas confirmou que a iniciativa, lançada pela associação de empresários da região de Valência, foi autorizada pela competição, mas negou que fosse tema de reivindicação política.
A camisa também foi usada nos jogos Levante x Barcelona e Villarreal x Betis, nesta 6ª rodada do Espanhol.


























