O candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) disse nesta quarta-feira (16/9) que "estão destruindo o Jequitinhonha", ao criticar a política de incentivos fiscais do estado e a exploração mineral na região. Ele prometeu revisar os benefícios tributários caso seja eleito.
A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelo Estado de Minas, quando Kalil foi questionado sobre o argumento do governo Romeu Zema (Novo) de que as isenções fiscais ajudaram a atrair empresas e gerar empregos no estado.
Kalil discordou e argumentou que os investimentos não foram distribuídos de forma uniforme entre as regiões mineiras. Segundo ele, as isenções fiscais do estado cresceram de R$ 4,9 bilhões para cerca de R$ 25 bilhões em oito anos.
"Nós temos um índice de emprego igual ao Brasil inteiro. Não mudou nada. Levaram uma cervejaria para Passos, está muito correto, que precisava. Qual planta levaram para Araçuaí, para o Vale do Jequitinhonha e para o Vale do Mucuri?", questionou.
Na sequência, o candidato criticou a forma como a mineração é conduzida no Jequitinhonha. Para ele, a atividade representa uma oportunidade econômica para a região, mas segue um modelo que não se traduziu em desenvolvimento suficiente em outros municípios mineiros.
Agora estão destruindo o Jequitinhonha. Tem a mineração que é a esperança do povo do Vale, mas está sendo tratada como o minério foi tratado em Itabira. Acabaram com o minério de Itabira, que marcha no mesmo lugar há anos.
Kalil defende revisão caso a caso das isenções
Questionado sobre como pretende rever os incentivos fiscais concedidos pelo estado, Kalil defendeu uma análise individual de cada benefício, e não o fim geral das isenções.
"É caso a caso. Nós temos isenções importantíssimas. Lá no Sul de Minas, nós temos empresas que dão realmente muitos empregos. E têm isenção", declarou.
Kalil reconheceu que determinadas isenções são importantes para a manutenção de empresas e empregos, mesmo defendendo a revisão do modelo como um todo.
O que acontece agora
A crítica de Kalil chega dias depois de o governo federal sancionar uma lei de incentivo a minerais críticos, sobre a qual Minas Gerais já alertou para riscos regionais.
O tema das isenções fiscais também entrou na campanha por outros candidatos. Gabriel Azevedo (MDB) e Patrus Ananias (PT) cobraram revisão dos benefícios que custam bilhões ao estado, e a Justiça já paralisou uma mina de lítio na mesma região após ação de quilombolas.


























