Os Estados Unidos tiraram nesta quarta-feira (16) a Venezuela da lista de países que "falharam de forma comprovada" no tráfico de drogas, pela primeira vez em 20 anos. O mesmo documento citou o Brasil como um "centro global da cocaína", sem incluí-lo na lista.

A decisão consta da determinação presidencial anual dos EUA sobre os principais países de trânsito e produção de drogas, a chamada "Majors List". O mecanismo existe desde 1961 e obriga o presidente a avaliar, todo ano, se cada país coopera contra o narcotráfico.

Este ano, a lista identifica 23 países como principais centros de trânsito ou produção de drogas, incluindo Bolívia, Colômbia, México e Peru. Desses, quatro receberam a classificação mais grave, de "falha comprovada" nos últimos 12 meses: Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia.

A Venezuela estava nessa lista desde 2005 e só saiu agora, após a prisão de Maduro em janeiro e a cooperação do governo interino de Delcy Rodríguez. A Colômbia pode ser a próxima, se avançar no combate à coca sob De La Espriella.

Decidi que a Venezuela não deve mais ser designada como tendo falhado comprovadamente em cumprir seus compromissos de controle de drogas.

afirmou Trump, em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado. Apesar da classificação negativa, os Estados Unidos optaram por manter assistência à Bolívia, Mianmar e Colômbia, por considerarem a cooperação desses países "vital aos interesses americanos", uma exceção prevista na própria lei.

O Brasil não está entre os 23 países listados, mas o texto do documento afirma que o governo brasileiro "falhou em confrontar" o PCC e o Comando Vermelho, classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas em maio.

Foi o mesmo texto que motivou a acusação direta de Trump ao país, noticiada por nós nesta quarta.

Ficar de fora da lista oficial livra o Brasil, por ora, das sanções que ela prevê: suspensão de assistência dos EUA, posição americana contrária a empréstimos do país em bancos multilaterais e tarifas comerciais mais altas.

Mas a crítica nominal chega em meio a uma disputa tarifária que os dois países já tentam resolver à mesa.

O ponto em aberto

O caso venezuelano mostra como a lista funciona menos como termômetro técnico do tráfico e mais como moeda de troca diplomática.

Maduro preso e substituído por um governo alinhado a Washington tirou a Venezuela da lista depois de 20 anos, enquanto Bolívia e Mianmar seguem classificados como "falha comprovada" e, mesmo assim, recebem ajuda considerada estratégica.

Não há decisão anunciada para tirar ou colocar o Brasil na lista formal na próxima rodada de avaliação. Até lá, resta saber se a crítica funciona como aviso isolado ou como preparação para uma inclusão mais adiante.