O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente do PT, Washington Quaquá, criticou nesta terça-feira (15) a campanha de Lula à reeleição. Em vídeos, disse que o presidente fala de terras raras enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fala do dia a dia do eleitor.

Ele vai lá fazer fake news dentro do supermercado, mas fala de vida real, fala de coisas do dia a dia. E nós, falando de terras raras. Sinceramente, cara, a gente tem que aprender.

A crítica compara a comunicação do presidente à de Flávio Bolsonaro, adversário do petista na disputa presidencial. Lula viu reduzida a vantagem sobre o senador nas pesquisas, o que ampliou a pressão de aliados do PT sobre a campanha, segundo a Exame.

Quaquá defendeu que a comunicação do presidente priorize as entregas do governo em vez de temas considerados distantes do dia a dia da população.

Quaquá também é um dos coordenadores da campanha de Lula no Rio de Janeiro e disse faltar diálogo com a coordenação nacional. "Está difícil de diálogo, porque não tem coordenação, não tem gente para dialogar, a gente não consegue discutir política", desabafou.

"Aqui no Rio mesmo, eu estou fazendo pesquisa quanti e quali direto e eu não tenho com quem falar", completou o prefeito, que também comanda a campanha estadual do PT.

Em outro vídeo, Quaquá criticou o ato de campanha marcado para 23 de setembro, na Fundição Progresso, na Lapa, que deve reunir artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia. Para ele, o evento é "pregar para convertidos".

A crítica pública de um coordenador da própria campanha expõe uma disputa interna sobre os rumos da corrida à reeleição a menos de um mês da votação, marcada para 3 de outubro.

A queixa de Quaquá não é isolada. Aliados do PT ouvidos pela Exame afirmam que a campanha reagiu tarde à crise no STF que ofusca o debate eleitoral entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.

Os mesmos aliados descrevem os programas de TV do partido como "apáticos e protocolares" e relatam falta de material de campanha, como panfletos e peças digitais, em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Ceará.

O PT já havia reagido à pressão com 27 estados em uma mobilização de rua nas últimas semanas. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, convocou reuniões internas para reduzir as tensões e admitiu falhas no planejamento.

O que acontece agora

O ato de campanha na Fundição Progresso, que reúne artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia, segue mantido para o dia 23 de setembro.

Edinho Silva prometeu recentralizar a distribuição de material de campanha e dar mais peso a propostas como a reforma do Judiciário e a segurança pública antes do primeiro turno.