O número de sites de apostas não autorizados no Brasil saltou de 295 para 710 em dois dias após o governo proibir as bets, alta de 141%, segundo monitoramento da empresa Bet Legal em parceria com a Iron Security.
O levantamento cruza dados do Diário Oficial, publicações estaduais e notificações enviadas à Anatel. Ele mostra o mercado clandestino reagindo quase em tempo real à decisão do governo.
A medida provisória assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro proíbe apostas esportivas on-line e o jogo "Tigrinho" no país, com desligamento total das plataformas autorizadas até 6 de outubro.
Pelo levantamento, o ritmo de criação de sites ilegais mudou de patamar exatamente no dia da proibição. Foram 103 sites em 21 de setembro e 168 em 22, mas praticamente zero em 23 e 24.
No dia 25, quando a MP passou a valer a partir das 18h, 56 dos 79 sites do dia surgiram depois do anúncio. No dia seguinte, o pico: 294 sites novos em 24 horas.
O Ministério da Fazenda informou ter bloqueado mais de 78 mil domínios. Entre janeiro e 22 de setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas já havia enviado 57.691 endereços para restrição pela Anatel.
Para o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, o resultado prático é o oposto do pretendido.
"Os sites não autorizados ampliaram a oferta e continuam operando fora de qualquer fiscalização, sem recolher impostos, sem leis e sem cumprir regras de proteção ao consumidor", disse.
O setor regulado também contesta a medida, mas por outro motivo. As empresas que recorreram à Justiça contra a MP alegam ter seguido as regras que o próprio governo criou, pagando outorgas de R$ 2,55 bilhões desde 2025.
Governadores e políticos de oposição usam os mesmos números para atacar Lula por outro ângulo. Caiado, Zema e Renan Santos acusaram o presidente de eleitoralismo com a proibição, a nove dias do primeiro turno.
O ponto em aberto
A pergunta que os números ainda não respondem é se o mercado ilegal vai continuar crescendo no mesmo ritmo até o desligamento total das plataformas, em 6 de outubro, ou se a fiscalização vai conseguir reduzir esse fluxo nas próximas semanas.
O apostador que ainda tem saldo em plataformas banidas tem até 5 de outubro para resgatar o valor, um dia antes do prazo final da MP.





























