O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) somava, em 23 de setembro, 7.890 casos confirmados e 3.799 mortes, uma taxa de letalidade de 48,1%. É o maior surto de Ebola já registrado no país, segundo dados internacionais consolidados sobre a epidemia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a doença se espalhou para duas novas zonas de saúde, Bulu e Dungu, na fronteira com a República Centro-Africana e o Sudão do Sul. São 63 zonas afetadas ao todo, em 7 das 26 províncias do país.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) mantém mais de 1.700 funcionários no terreno, distribuídos por 9 centros de tratamento em 5 províncias, com mais de 480 leitos entre centros e unidades de isolamento. Desde maio, mais de 2.770 pacientes já passaram por esses centros.
O vírus responsável pelo surto é da cepa Bundibugyo, que não tem vacina nem tratamento específico aprovado.
A MSF aponta ainda o conflito armado na região como um obstáculo direto. A insegurança dificulta o acesso das equipes às comunidades, e a capacidade de fazer testes diagnósticos segue limitada.
Nem todo o cenário é de piora. Nos últimos 21 dias, o número de casos caiu cerca de 26% na província de Ituri e 15% em Haut-Uélé, ainda que esse recuo tenha sido compensado por novos focos em outras regiões do país.
O que isso significa para o Brasil
O risco de o Ebola chegar ao Brasil é considerado baixo pelo Ministério da Saúde. O vírus se transmite por contato direto com sangue ou fluidos corporais, não pelo ar, e o país já testou o próprio sistema de vigilância duas vezes neste ano.
Em maio, um paciente de 37 anos com histórico de viagem a região de circulação do vírus foi atendido no Instituto Emílio Ribas, em São Paulo. O Instituto Adolfo Lutz não encontrou material genético do Ebola nas amostras, e o diagnóstico final foi meningite meningocócica.
No mesmo fim de semana, um paciente com histórico de viagem a Uganda foi internado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), no Rio de Janeiro. Amostras de saliva, urina e sangue deram negativo, e o diagnóstico final foi malária.
Os dois casos, hoje descartados, foram o primeiro teste real do plano de contingência que o Brasil ativou diante do avanço do surto africano, e mostraram um sistema capaz de identificar, isolar e descartar suspeitas em poucos dias.
O ponto em aberto
O que ainda falta para conter o surto é justamente o que a ciência não resolveu. Não existe vacina aprovada contra a cepa Bundibugyo, diferente da usada contra outras variantes do vírus Ebola.
Enquanto isso não muda, o controle depende quase inteiramente do isolamento de casos, do rastreamento de contatos e do acesso das equipes de saúde às comunidades.
Esse acesso é justamente o que o conflito armado na região segue dificultando.





























