O Banco Central cortou a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%, no relatório divulgado nesta quinta-feira (24). Dois dias antes, a Fazenda já havia reduzido sua estimativa, de 2,3% para 2,0%, em meio a juros altos e consumo fraco.
É a primeira vez que o BC também projeta o PIB de 2027: crescimento de 1,4%, número mais baixo que boa parte do mercado esperava.
"Não existe uma perspectiva de recessão significativa para o ano de 2027", disse Paulo Picchetti, diretor interino de Política Econômica do BC. Segundo ele, a inflação de serviços segue acima do patamar compatível com a meta.
Por que o crescimento perdeu força?
A indústria puxou a maior parte do corte: a projeção do BC caiu de 2,3% para 1,5%. O consumo das famílias, principal motor da economia, recuou de 2,1% para 1,2% na nova conta.
A agropecuária foi na direção oposta em ambos os levantamentos: o BC elevou a projeção do setor de 1,7% para 2,8%, puxada pela safra de grãos que pode chegar a 366,6 milhões de toneladas, mesmo padrão já visto pela Fazenda.
O Copom cortou a Selic pela quinta vez seguida, a 13,75% ao ano, ante os 14% do corte anterior, em agosto. O relatório cita a desaceleração do crédito bancário como sinal de que os juros altos já afetam a atividade.
O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 28,9% em junho, o maior nível da série histórica, segundo o Ministério da Fazenda. O dinheiro extra do salário está indo para a dívida, não para o consumo.
A Fazenda já havia detalhado esse efeito na revisão anunciada dois dias antes da divulgação do Banco Central.
O que acontece agora
O Copom volta a se reunir nas próximas semanas para decidir se mantém o ritmo de cortes na Selic, hoje em 13,75% ao ano.
O ponto em aberto
O boletim Focus já vinha cortando a projeção do PIB de 2026 havia cinco semanas seguidas, de 1,99% para 1,89%. O corte do BC nesta quinta aproxima o número oficial dessa trajetória, sem sinal de que a sequência de revisões para baixo tenha parado.































