O candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo) é suspeito de dano ao patrimônio da União depois de apagar, sem autorização, uma pintura no muro do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Ele foi preso em flagrante neste domingo (27), segundo a PMDF.

Um vídeo do episódio flagra a discussão. Um homem se aproxima, questiona se o grupo tinha autorização para intervir no muro e diz que vai relatar o caso à reitoria.

Wilker rebate: "Bandeirinha LGBT aqui só vai sobrar do teu celular, viu?", numa referência ao celular que registrava a cena.

Uma equipe do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) chegou ao local por volta das 17h. Wilker Leão de Sá e Anderson Nigro, que fazia as imagens, foram levados à Polícia Federal (PF), onde a prisão em flagrante foi formalizada.

O G1 tentava contato com a defesa de Wilker Leão e não obteve resposta.

Um vídeo à parte, divulgado pelo Metrópoles, mostra ao menos cinco apoiadores do candidato agredindo um estudante, já depois de Wilker ter deixado o Instituto de Artes. Em mensagem à qual o Metrópoles teve acesso, a vítima relatou o ataque:

Me agrediram também. Tomei um soco na cabeça, me deram um soco na cabeça.

Por que ele pôde ser preso sendo candidato

Candidatos registrados nas eleições de 2026 não podem ser presos desde o dia 19 de setembro, 15 dias antes do primeiro turno, mas a regra eleitoral abre uma única exceção.

Segundo o TJDFT, o flagrante delito é a única hipótese que autoriza prender um candidato nesse período, e foi nela que a Polícia Federal enquadrou Wilker Leão.

A proteção eleitoral barra prisões comuns na reta final da campanha, mas não alcança quem é flagrado cometendo um crime.

Formado em direito, Wilker ficou conhecido por vídeos de conteúdo político nas redes sociais. Ele protagonizou embates públicos com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, e com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em 2023.

Ele próprio foi estudante de história na UnB até ser expulso da instituição, em setembro de 2025, após responder a um processo por calúnia e difamação.

A UnB classificou o episódio deste domingo como "atos de violência e depredação do patrimônio público" e confirmou o acionamento do protocolo de segurança. A universidade prometeu providências administrativas e jurídicas para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.

O que acontece agora

Wilker Leão e Anderson Nigro seguem à disposição da Polícia Federal, que investiga o dano ao patrimônio da União. A UnB abriu apuração interna e disse que vai prestar apoio aos estudantes atingidos pela agressão.