O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ter boa relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas classificou como "muito ruim" o pessoal que trabalha com o republicano, em entrevista ao Canal Livre, segundo o UOL.
A entrevista foi gravada e vai ao ar às 20h na BandNews TV e às 22h na Band.
"Eu me dou bem com o Trump. Toda vez que eu converso com ele, nós nos damos muito bem. O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim", disse Lula.
"Eu digo para ele que o Marco Rubio não gosta do Brasil, não gosta da América Latina, ou seja, ele é um antilatino-americano. Mas as conversas que eu tive com o Trump foram todas boas", completou o presidente, referindo-se ao secretário de Estado americano.
Não é a primeira vez que Lula mira em Rubio publicamente. Em agosto, o presidente já havia chamado o secretário de "bolsonarista" e, dias depois, de "latino-americano frustrado", sempre em meio à disputa comercial entre os dois países.
Essa disputa segue sem solução. O Brasil abriu processo contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio depois do tarifaço imposto por Trump.
As tarifas em discussão somam 37,5% e atingem cerca de 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, segundo o processo aberto pelo governo brasileiro.
Trump associou parte da sobretaxa ao tratamento dado no Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula, por sua vez, já reagiu acusando Washington de interferência em assuntos internos do país.
O que muda nas relações entre Brasil e Estados Unidos
Apesar do tarifaço, o canal pessoal entre os dois presidentes segue aberto. Lula e Trump tiveram um encontro rápido na Assembleia Geral da ONU em 2025 que o próprio americano descreveu como de "excelente química", e mantiveram contatos diretos por telefone neste ano.
A fala de Lula ao Canal Livre confirma essa distinção que o presidente já fazia: elogiar o interlocutor direto, Trump, e mirar críticas em quem o cerca, sobretudo em Rubio, hoje o principal alvo brasileiro dentro do governo americano.
O que acontece agora
A disputa tarifária segue aberta na OMC, sem prazo definido para uma solução. O governo brasileiro trata o litígio como estritamente bilateral e vê com bons olhos manter as negociações fora do radar de terceiros países.
Enquanto isso, o entretenimento da política externa segue nas mãos dos dois presidentes: é o canal pessoal entre Lula e Trump, não os embates públicos com auxiliares como Rubio, que os dois lados tratam como a via mais provável para destravar o impasse comercial.





























