Os pandas gigantes Ping Ping e Fu Shuang partiram da Base de Pesquisa de Chengdu, na China, na madrugada deste domingo (27), rumo ao Zoológico de Atlanta, nos Estados Unidos, num voo que durou cerca de 16 horas até a chegada ao território americano.
A chegada ocorreu um dia depois de o presidente chinês Xi Jinping encerrar uma visita de Estado a Washington. Na mesma cúpula, Trump e Xi negociaram uma trégua comercial que pesa sobre commodities e sobre a inteligência artificial.
Os dois países também concordaram em criar um canal direto sobre os riscos da inteligência artificial, tema que hoje domina a relação entre as duas potências.
Xi Jinping classificou o gesto como um símbolo de aproximação. "O panda gigante é um mensageiro da amizade entre chineses e americanos", disse o presidente chinês sobre a chegada dos animais.
Os dois pandas vão passar dez anos no zoológico americano. Segundo Sam Rivera, vice-presidente de Saúde Animal da instituição, a equipe já se prepara para recebê-los: "Estamos nos assegurando de ter bambu suficiente para que eles possam comer."
A China e os Estados Unidos vivem hoje uma disputa que especialistas comparam à Guerra Fria e à corrida espacial: a busca por uma inteligência artificial superior à humana.
É nesse cenário de rivalidade tecnológica que o gesto de doar dois pandas ganha peso político.
A prática tem quase um século de história. O governo de Chiang Kai-shek deu os primeiros pandas ao Zoológico do Bronx, em Nova York, em agradecimento pela ajuda dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
Depois da vitória comunista, Mao Tsé-Tung reservou o gesto só para aliados socialistas. A prática mudou de novo em 1972, quando a visita do presidente Richard Nixon trouxe os pandas Ling Ling e Hsing Hsing a Washington.
Com a abertura econômica de Deng Xiaoping, a China passou a alugar os animais, em vez de doá-los, a partir das Olimpíadas de Los Angeles de 1984.
O modelo de empréstimo por prazo fixo, como o de dez anos agora firmado com Atlanta, segue em uso até hoje.
O gesto nem sempre é de aproximação. Em janeiro deste ano, a China repatriou os únicos dois pandas que tinha no Japão, os gêmeos Lei Lei e Xiao Xiao, do Zoológico de Ueno.
A retirada veio depois de a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sugerir que o país poderia intervir militarmente em caso de um ataque chinês a Taiwan.
Sem reposição dos animais, o Japão ficou sem pandas chineses pela primeira vez em mais de 50 anos. A mesma visita de Xi aos Estados Unidos já havia sido tratada como relevante para o Brasil, por seu peso no tabuleiro comercial global.
O que acontece agora
Ping Ping e Fu Shuang passam agora por um período de adaptação em Atlanta antes de serem apresentados ao público. O canal sobre inteligência artificial acertado entre Washington e Pequim ainda não tem data definida para começar a funcionar.





























