A Casas Bahia encerra nesta quinta-feira (20) um leilão de cerca de 390 lotes de eletrodomésticos e eletrônicos, com descontos de até 85%. A liquidação faz parte da reestruturação da empresa, que pediu recuperação judicial em junho depois de um prejuízo de R$ 10,1 bilhões e do fechamento de 298 lojas.
O que está no leilão de hoje
O lote reúne geladeiras, fogões, TVs, tablets, celulares, notebooks, ventiladores e ferros de passar, com a maioria dos descontos entre 57% e 77%.
Os produtos estão parados no centro de distribuição da empresa em Taquara, Duque de Caxias (RJ), e podem ser pagos via Pix ou parcelados em até 12 vezes na plataforma Kwara, leiloeira digital que conduz a venda.
Por que a Casas Bahia pediu recuperação judicial
O pedido foi protocolado em 16 de junho, na Justiça de São Paulo, depois de um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre do ano. A reestruturação já fechou 298 lojas e envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas com bancos, fundos, seguradoras e fornecedores.
Segundo a empresa, a causa foi a deterioração das condições econômico-financeiras: juros altos, crédito mais restrito, custo financeiro maior e queda no consumo. Em Santa Catarina, das 23 lojas que a rede tinha, só 5 seguem abertas.
Uma crise concentrada, não generalizada
O dado que poucos textos sobre a crise trazem: o varejo brasileiro tem a menor densidade de recuperações judiciais entre os grandes setores da economia, 0,16 caso a cada mil empresas ativas, metade da média nacional.
Ainda assim, 986 varejistas estavam em recuperação judicial no país até meados de 2026, alta de 20,4% em 12 meses. O problema se concentra em nichos como postos de combustível e supermercados, mais do que no varejo como um todo.
É esse recorte que ajuda a explicar por que uma rede do tamanho da Casas Bahia pode quebrar sem que o setor inteiro esteja em colapso.


























