A diretoria da ANP aprovou, nesta sexta-feira (2), o desenho de 501 novos blocos de exploração de petróleo na Margem Equatorial, numa área de 380 mil km², do tamanho do Japão. A decisão é técnica e não garante leilão imediato.
A aprovação saiu no mesmo dia em que a Petrobras anunciou a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, na Foz do Amazonas. As duas notícias nascem da mesma fronteira, aberta oficialmente há pouco mais de um ano.
A fronteira nasceu de uma decisão da ONU em março de 2025, que ampliou o limite da Plataforma Continental Brasileira para além das 200 milhas náuticas (370 km) reconhecidas até então. Foi esse espaço extra que a ANP organizou agora em blocos.
Por que essa fronteira importa tanto
A Margem Equatorial pode ter até 83% do volume do pré-sal clássico, segundo estimativa que a TV Sim já mostrou. É esse tamanho que explica por que a região é chamada de "o novo pré-sal".
A aposta tem pressa. O pré-sal clássico, principal fonte de petróleo do país hoje, deve atingir o pico de produção entre 2034 e 2035 e começar a declinar depois disso, segundo a própria Petrobras, que corre para suceder o pré-sal a tempo.
A estatal já investiu R$ 13 bilhões na nova fronteira.
O que trava a oferta dos blocos
Desenhar o bloco no mapa não é o mesmo que leiloá-lo. A ANP afirma que uma eventual oferta depende de avaliação dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, além de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A trava ambiental já apareceu antes. O Ibama levou anos para autorizar a Petrobras a perfurar os primeiros três poços na Foz do Amazonas, liberados só em setembro.
Organizações ambientalistas questionam a abertura de novas áreas de exploração, por verem contradição entre o discurso ambiental do governo e a expansão da fronteira do petróleo.
A mesma tensão marcou o licenciamento da Foz do Amazonas, que o Brasil conduziu enquanto se preparava para sediar a conferência do clima da ONU na própria Amazônia.
O ponto em aberto
Nenhuma ponta dessa fronteira está fechada. A ANP organizou o mapa, mas não disse quando os 501 blocos vão a leilão, nem se isso vai acontecer.
Cada nova oferta de blocos ainda vai depender da mesma avaliação ambiental que levou anos para liberar os poços que já operam na Foz do Amazonas.






























