O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não respondeu até a quinta-feira (1º) aos questionamentos de 31 parlamentares democratas sobre possível interferência na eleição no Brasil. O prazo foi fixado pelo próprio grupo, em carta ao secretário de Estado, Marco Rubio.

A carta foi enviada em 25 de setembro, com sete exigências sobre o tema.

Segundo apurou a CNN Brasil, o gabinete da deputada democrata Delia Ramirez, de Illinois, confirmou que não houve resposta do Departamento de Estado até o prazo combinado. A carta tinha ainda as assinaturas do senador independente Bernie Sanders e da deputada Alexandria Ocasio-Cortez (AOC).

Outros 29 parlamentares também assinaram o documento, enviado três dias antes do prazo final.

"Como é de praxe na administração Trump, o prazo não foi cumprido. O gabinete reiterou a cobrança ao Departamento de Estado e segue acompanhando de perto o desenrolar das eleições", disse um assessor da deputada Delia Ramirez à CNN Brasil.

O que os parlamentares queriam saber

Os democratas pediram a Rubio a metodologia usada pelo governo para avaliar pedidos de sanção contra autoridades estrangeiras. O grupo também exigiu a base jurídica para sancionar o ministro do STF Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky.

Os parlamentares chamam a sanção de "sem precedentes" contra um jurista de nação parceira democrática.

A carta também questiona a justificativa do governo americano para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Os parlamentares citam o tarifaço de Trump contra produtos brasileiros como parte do que descrevem como uma campanha de interferência no Brasil.

Escrevemos para expressar nossa grave preocupação em relação ao esforço coordenado do governo para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial.

O silêncio do Departamento de Estado ocorre a dois dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para este domingo (4), período em que o governo brasileiro tem reforçado o discurso de soberania nacional.

Nesta sexta-feira (2), durante sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a Nicarágua, o representante do Brasil no organismo, Ricardo Belli, criticou o conceito de "paz pela força", associado a Trump, e defendeu o respeito à soberania dos países da região.

Segundo o Poder360, Belli não citou os EUA diretamente, mas rejeitou a "lógica ultrapassada da Guerra Fria".

A fala de Belli veio um dia depois de Trump dizer, na saída da Casa Branca, que acompanha "bem de perto" a eleição brasileira e classificar o pleito como "muito importante", sem citar candidatos.

O tarifaço citado na carta segue sem acordo entre os dois países. O governo brasileiro já buscou uma reunião no G20 para tentar reduzir a tarifa, sem data marcada até agora.

O que acontece agora

O gabinete de Delia Ramirez disse que vai reiterar a cobrança ao Departamento de Estado e continuar acompanhando o desenrolar das eleições brasileiras. Não há data definida para uma nova resposta do governo americano.

A carta original, assinada em 25 de setembro, segue sem resposta formal enquanto o primeiro turno se aproxima neste domingo (4).