O presidente do STF, Edson Fachin, informou nesta sexta-feira (2) que vai se reunir com a Polícia Federal na 2ª semana de outubro para tratar de menções a ministros da Corte encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Fachin diz que a PF pediu a audiência na manhã de quinta-feira (1º) e que o pedido foi "prontamente atendido". Ele nega demora para marcar o encontro, atribuindo o intervalo a "dificuldades mútuas de agenda".
Em ofício enviado à PF no mesmo dia, Fachin disse que o caso terá "os encaminhamentos devidos". "A circunstância merece registro, sobretudo porque há inequívoco interesse institucional em que todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado, sem exceção de qualquer natureza", escreveu o ministro.
Uma das menções encontradas no celular de Vorcaro aponta contato com uma pessoa apontada como o ministro Alexandre de Moraes. Segundo os diálogos, o banqueiro teria perguntado a Moraes, dois dias antes da prisão, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país.
Os registros também indicam que Moraes teria feito edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Os dois se encontraram ao menos seis vezes desde 2024, segundo os diálogos.
As mensagens vieram à tona depois de o ministro André Mendonça pedir manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre um relatório da PF enviado ao STF.
A crise no Supremo
O episódio ocorre em meio a uma crise que atinge o Supremo desde o início de setembro, agravada pela divulgação de informações sigilosas das investigações sobre o Banco Master envolvendo nomes de ministros da Corte.
Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com registros relacionados ao caso. Isso expôs os nomes ao público. O esquema de precatórios do Banco Master já havia exposto outros magistrados antes desta revelação.
Nesta sexta (2), Fachin também criou um filtro para pedidos de terceiros em processos já em andamento, resposta a decisões de ministros que permitiam a peticionantes levar controvérsias diretamente a relatores específicos, sem distribuição regular.
O caso ganhou repercussão nacional desde que veio à tona a origem da crise que abalou o STF.
Hoje ele é tratado como o maior rombo bancário da história do país.
O que acontece agora
A reunião entre Fachin e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, estava marcada para a 2ª semana de outubro, mas deve ser antecipada, segundo o Valor. Os dois já se encontraram em 17 de agosto, no STF, e em 31 de agosto, no CNJ.
A PF ainda vai decidir, a partir do encontro, se abre investigação sobre a relação dos ministros citados com Vorcaro ou se apenas registra o conteúdo das mensagens em relatório.
































