A Petrobras encontrou petróleo em uma segunda camada de rochas no poço Morpho, na costa do Amapá, e prevê concluir a perfuração até o fim de outubro. A presidente da estatal, Magda Chambriard, anunciou a descoberta nesta sexta-feira (2), em coletiva de imprensa.
"Estamos aumentando o valor destas áreas exploratórias para a Petrobras. O Amapá está ficando mais valioso a cada dia", disse Chambriard.
A descoberta ocorreu em um trecho mais profundo do mesmo poço onde a estatal já havia encontrado hidrocarbonetos em agosto. O novo intervalo com petróleo foi identificado na quinta-feira (1º).
Segundo Chambriard, um mesmo poço pode alcançar mais de uma camada com petróleo, cada uma com capacidade produtiva diferente, o que também ocorre em áreas do pré-sal e do pós-sal.
Por que a descoberta ainda não é uma promessa
Apesar do entusiasmo, a própria presidente da Petrobras pondera que ainda não é possível afirmar que a descoberta será desenvolvida. Faltam novas perfurações e avaliações sobre o volume real de óleo.
Morpho fica no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, em lâmina d'água de 2.886 metros. A licença ambiental concedida pelo Ibama cobre apenas a fase exploratória, sem autorização para produção.
O licenciamento da Margem Equatorial ficou travado por mais de um ano depois que o Ibama negou, em 2023, o pedido da Petrobras para perfurar esse mesmo bloco. A autorização só veio em outubro de 2025, após novos estudos da petroleira.
A negativa inicial gerou forte reação do governo: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a criticar publicamente a demora do Ibama em aprovar os estudos da Petrobras na região.
Ambientalistas e parte da comunidade científica receberam a liberação da licença com cautela. Organizações da sociedade civil apontam que a foz do Rio Amazonas é uma área sensível, com grande biodiversidade marinha e trechos ainda pouco estudados.
O tamanho da aposta
A Petrobras ainda tem outros 7 poços para licenciar só no Amapá, e mantém blocos em outras bacias da Margem Equatorial, como Barreirinhas e Pará-Maranhão.
A região é tratada pela estatal como um possível novo pré-sal, com até 83% do volume da bacia clássica.
A aposta já soma R$ 13 bilhões investidos pela Petrobras, diante do declínio esperado do pré-sal atual.
Nesta mesma sexta-feira, o governo detalhou os 501 blocos de petróleo do tamanho do Japão que estão em jogo na região.
Com a conclusão dos trabalhos em Morpho, a sonda será desmobilizada e seguirá para o Rio Grande do Norte, onde vai perfurar o poço Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.
O ponto em aberto
Os dados técnicos de produtividade e profundidade do poço Morpho ficam protegidos por sigilo de dois anos, regra da ANP que dá vantagem competitiva a quem perfurou primeiro.
Isso significa que, por enquanto, só a Petrobras sabe se o Amapá vale mesmo a fama de "novo pré-sal": o público só vai descobrir quando a confidencialidade expirar ou quando a estatal decidir anunciar o resultado.






























