Hotéis e redes brasileiras passaram a investir em energia limpa, eficiência e neutralização de carbono como parte dos negócios. O setor incorpora a agenda climática do turismo e redesenha a forma de receber viajantes, segundo a Atrio, empresa de soluções em hospitalidade.

Segundo Rui Medeiros, diretor de operações da Atrio, hotel neutro não é, necessariamente, o que deixou de emitir gases-estufa. "O processo começa pela mensuração das emissões, por meio de um inventário que identifica as principais fontes de carbono da operação", explica o executivo.

A lógica, segundo ele, é medir, reduzir e neutralizar. A compensação não deve substituir o esforço contínuo de redução das emissões da própria operação.

As maiores fontes de emissão são a climatização e o aquecimento de água.

Onde o hotel mais emite carbono

O hotel emite carbono principalmente na climatização, no aquecimento de água, no consumo de gás em cozinhas e equipamentos, na energia elétrica e nos gases refrigerantes dos sistemas de refrigeração, aponta o diretor de operações da Atrio.

Ampliada para toda a cadeia de valor, a conta de carbono cresce com a lavanderia terceirizada, alimentos e bebidas, resíduos, compras, fornecedores e transportes.

Dois exemplos citados pela Atrio mostram a mudança na prática: o Ibis Santos Valongo e o Novotel Santos Gonzaga iniciaram a certificação como Hotéis Neutros de Carbono em 2022 e renovaram o reconhecimento em 2026.

Publicidade

As ações incluem redução de vazão em chuveiros e torneiras, reutilização de toalhas, iluminação LED e climatização eficiente. Os hotéis também mantêm parceria de economia circular com a EcoFábrica Criativa de Santos.

A Atrio substituiu sistemas de aquecimento de água a gás por bombas de calor elétricas. A troca reduziu o consumo de combustíveis fósseis e trouxe ganhos de eficiência e de custo.

O Brasil tem uma vantagem rara nessa conta: a matriz elétrica já é predominantemente renovável, o que facilita a troca de fonte de energia dos hotéis. É a mesma vantagem que o governo destaca na descarbonização de outros setores, como a aviação.

Outros hotéis também buscam o selo

Outros hotéis também buscam o selo de carbono neutro no Brasil. A Aviva foi certificada como empresa carbono neutro em 2025, e o Resort La Torre também comunicou a própria neutralização de emissões ao mercado.

No Brasil, o SeloXIS é a primeira certificação ESG criada só para o turismo. Ela avalia governança, impactos sociais e gestão ambiental de hotéis e pousadas.

A disputa por selo não é exclusividade da hotelaria. Vilas de Minas Gerais também competem por um selo internacional da ONU para turismo sustentável.

A pressão contra o greenwashing

A pressão contra o greenwashing cresce também lá fora. A Diretiva EmpCo, da União Europeia, entra em vigor em setembro de 2026 e passa a proibir afirmações genéricas e sem comprovação sobre sustentabilidade, inclusive no setor de viagens e hospedagem.

O Booking.com, uma das maiores plataformas de reservas do mundo, afirma dar prioridade a hotéis com certificações de sustentabilidade reconhecidas por terceiros, e não a autodeclarações das próprias redes.