A Polícia Civil e a Prefeitura de São Paulo deflagraram, na manhã desta quinta-feira (29), a 2ª fase da Operação Luctus contra um esquema suspeito de venda de dados de mortos para empresas funerárias. A ação cumpre 21 mandados de busca.
Os mandados são cumpridos na capital paulista e em Embu das Artes, Taboão da Serra, Cotia e Diadema, na Região Metropolitana. Não há mandados de prisão nesta fase.
Segundo a investigação, o grupo obtinha ilegalmente dados sobre mortes recentes em hospitais particulares, no Instituto Médico Legal (IML) e no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO).
Os dados eram usados para abordar famílias logo após a morte de um parente, em situação de vulnerabilidade emocional, e vender serviços funerários com preços acima dos praticados no mercado.
Entre os alvos estão um policial civil lotado no Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), um servidor da Prefeitura de São Paulo e empresários do setor funerário. As identidades dos investigados não foram divulgadas.
Uma das empresas investigadas é a Velar SP, uma das quatro concessionárias escolhidas em 2023 pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para administrar 22 cemitérios da capital paulista.
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A Velar é responsável por seis deles, como Vila Alpina, Itaquera e Freguesia do Ó. O serviço funerário municipal passou a ser operado por concessionárias privadas em 2023, com os contratos fiscalizados pela SP Regula.
O esquema mirava famílias no momento mais vulnerável, logo após perder um parente, para vender serviços com ágio.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), além da responsabilização penal, a investigação busca "identificar vulnerabilidades sistêmicas e oportunidades de aperfeiçoamento dos mecanismos de controle interno, governança e integridade".
A Justiça autorizou a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos investigados. As apurações também apontaram indícios de ocultação patrimonial e de movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas.
O modelo de concessão de cemitérios em São Paulo já havia sido alvo de escrutínio do Supremo Tribunal Federal. Em setembro, o ministro Flávio Dino mandou a Polícia Federal apurar uma relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e concessionárias de cemitérios da capital.
A decisão de Dino apontou financiamento bilionário de um banco a empresas donas de outra concessionária do setor, com as ações dadas como garantia da dívida.
A TV Globo procurou a Velar, que aguarda manifestação.
O que acontece agora
Não há mandados de prisão nesta fase da Operação Luctus. A Polícia Civil segue analisando o material apreendido e os dados bancários liberados pela Justiça, para identificar quem mais participava do esquema e quais empresas se beneficiavam dele.































