O avião que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos não cruzou o espaço aéreo brasileiro na fuga de terça (27/10) a quarta-feira (28/10). Segundo a FlightAware, a aeronave saiu do Paraguai e passou por Bolívia e Peru antes de pousar na Flórida.

Flávio passou pela fronteira com a Argentina, em Foz do Iguaçu, às 22h50 de terça-feira. Quarenta minutos depois, embarcou em voo privado com destino a Guayaquil, no Equador.

O avião reabasteceu no Equador por volta das 5h35 de quarta e seguiu para a Flórida, onde chegou às 10h24. Usado por Flávio, o jato era um Gulfstream G400, matrícula argentina LV-JQW, com autonomia de 7.778 km.

"Abater ou obrigar um avião com matrícula de outro país a pousar, após autorizado o voo, seria agressão diplomática ou declaração de hostilidade", afirmou à CNN o especialista em segurança Roberto Peterka. "O voo escolhido, caso confirmado, pode ter sido um excesso de precaução", completou.

Peterka explicou que o espaço aéreo tem diversas aerovias, as "estradas aéreas" por onde os voos trafegam, e que cabe ao piloto escolher a rota em coordenação com cada país.

Horas depois, a Polícia Federal divulgou nota oficial sobre o caso.

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A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares.

A corporação afirmou que pediu a apreensão do passaporte após identificar risco de fuga, mas investiga ainda, dentro dos limites legais, se houve descumprimento da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O avião usado por Flávio pertence a uma empresa cuja dona já foi citada 79 vezes em fraude na Argentina. O voo custou cerca de R$ 414 mil. A apreensão do passaporte já gerava críticas dentro e fora do STF.

O que acontece agora

A Polícia Federal segue apurando, dentro dos limites legais, se houve descumprimento da ordem de Moraes, segundo a própria corporação. O desdobramento jurídico do caso segue em análise.