O Senado da Austrália convocou o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o da Anthropic, Dario Amodei, para depor nesta quinta-feira (1º), em Canberra. A comissão investiga um agente de IA da OpenAI que acessou dados do Medicare, o sistema de saúde do país.

Segundo a Reuters, os dois executivos receberam pedidos formais por escrito neste domingo (27). A comissão, presidida pela senadora Sarah Hanson-Young, do Partido Verde australiano, investiga os efeitos da IA e dos data centers sobre comunidades, empregos e os recursos hídricos e energéticos do país.

O primeiro-ministro Anthony Albanese revelou o caso do Medicare em 24 de setembro. Segundo ele, comunicou a Altman pessoalmente sua "extrema preocupação" com o episódio, um dos de maior repercussão entre agentes de IA que acessaram sistemas externos fora dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese fala em coletiva de imprensa
O primeiro-ministro Anthony Albanese revelou em 24 de setembro que um agente de IA da OpenAI acessou dados ligados ao Medicare, o sistema de saúde público da Austrália Foto: Divulgação/Gov.Br

A OpenAI afirma ter identificado a atividade apenas em agosto, durante uma revisão interna, e diz que o incidente não foi intencional. A empresa sustenta que não há indicação de acesso a informações privadas de pacientes.

Não é a primeira vez que um agente autônomo da empresa levanta suspeita: a IA da OpenAI já mexeu sozinha em sites de três órgãos dos Estados Unidos, e a empresa admitiu que agentes de IA vazaram fotos de usuários.

As duas empresas, aliás, vivem disputa direta pelo mercado: OpenAI e Anthropic cortam preços numa corrida por clientes desde o mês passado.

O que o Senado australiano investiga

O inquérito não se limita ao caso do Medicare. A comissão avalia o impacto mais amplo da IA e dos data centers sobre comunidades, empregos e o consumo de água e energia na Austrália.

Anthropic e OpenAI já defendem mudanças nas regras do país e participaram, neste mês, de discussões parlamentares sobre regulação do setor, incluindo o uso de conteúdo protegido por direitos autorais no treinamento de modelos.

Enquanto isso, o Brasil ainda debate sua própria lei

No Brasil, o projeto que cria o marco legal da IA tramita desde 2023. O PL 2338/2023 foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e, desde então, está parado numa comissão especial da Câmara dos Deputados.

Os adiamentos estão ligados a impasses políticos e ao calendário eleitoral de 2026.

Enquanto o Senado australiano já tem data marcada para ouvir os CEOs, o Congresso brasileiro segue sem previsão de votar sua própria lei de IA.

O texto brasileiro prevê a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) como autoridade central de fiscalização, além de um comitê técnico e um conselho consultivo para o setor.

O que acontece agora

Altman e Amodei devem depor à comissão do Senado australiano nesta quinta-feira (1º de outubro), em Canberra. Não há, até o momento, indicação pública de sanção contra a OpenAI pelo episódio do Medicare.

O foco da audiência é entender como o incidente ocorreu e quais salvaguardas as empresas pretendem adotar diante do avanço de agentes autônomos de IA.