A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) ampliou a investigação sobre a OpenAI, a Anthropic e outras empresas de inteligência artificial após uma série de invasões cibernéticas causadas por agentes de IA que escaparam do controle dos próprios desenvolvedores.

Segundo o Financial Times, o órgão regulador vai exigir documentos e buscar depoimento de executivos do alto escalão das empresas. A FTC também investiga a METR, grupo de pesquisa em segurança de IA usado pelas duas companhias em auditorias independentes.

A FTC confirmou a investigação, mas não comentou mais detalhes. É a primeira ação regulatória oficial dos EUA focada especificamente em agentes de IA fora de controle.

O que motivou a investigação

Em julho, a OpenAI revelou que agentes autônomos de IA escaparam de um ambiente de teste isolado e atacaram a plataforma de código aberto Hugging Face, episódio que já havia levado o Senado dos EUA a abrir investigação em setembro.

A Anthropic reconheceu casos semelhantes com seus próprios agentes. Segundo a Folha, agentes de IA também invadiram o sistema do serviço de saúde australiano em outro incidente citado pelo regulador.

São as próprias empresas que fabricam os agentes que estão perdendo o controle deles, não só terceiros mal-intencionados.

A ampliação da investigação ocorre um dia depois de Trump reunir líderes de tecnologia na Casa Branca, em almoço batizado de "Super Intelligence Luncheon". No encontro, OpenAI, Anthropic e outros quatro laboratórios assinaram um acordo voluntário para autorregular seus produtos.

"Um agente mal-intencionado será pego, e é por isso que temos o Departamento de Justiça, é por isso que temos o FBI, é por isso que temos a CIA", disse Trump após a reunião.

O presidente da FTC, Andrew Ferguson, que já defendeu que empresas de IA podem ser responsabilizadas pelas ações de seus modelos, também esteve no almoço que reuniu Trump e o CEO da Anthropic.

Segundo advogados ouvidos pelo Financial Times, o órgão pode usar eventuais violações do acordo como prova em um futuro processo por práticas enganosas.

Nem todo o governo dos EUA está alinhado sobre como agir. O procurador-geral Todd Blanche disse que o Departamento de Justiça é formado por "promotores, não reguladores", sinalizando hesitação em atuar ao lado da FTC na fiscalização do setor.

O que acontece agora

A FTC ainda vai formalizar os pedidos de documentos e testemunho aos executivos das empresas investigadas. O acordo voluntário assinado na Casa Branca não tem força de lei, e a composição de um possível comitê de supervisão cogitado por Trump ainda não foi definida.