Médicos de diferentes países cobram regras mais rígidas para a prescrição das canetas emagrecedoras (medicamentos GLP-1), diante da preocupação de que o remédio esteja provocando novos casos de anorexia em pacientes com transtornos alimentares ainda não diagnosticados, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
Os medicamentos, hoje usados por dezenas de milhões de pessoas, podem causar sintomas parecidos com os efeitos da anorexia: queda de cabelo, tontura, problemas gastrointestinais e déficits calóricos extremos.
"Diante disso, é anorexia? É uma alimentação desordenada? Ou é apenas um efeito colateral do medicamento?", questiona Katherine Kiley, médica de família e do esporte em Long Beach, na Califórnia.
Uma coalizão internacional de especialistas em obesidade e em transtornos alimentares divulgou recomendações para a prescrição do GLP-1. Entre as sugestões: avaliar todo paciente em busca de sinais de transtorno alimentar antes de iniciar o tratamento.
Por que a prescrição hoje é frágil
Nenhuma dessas medidas é prática padrão atualmente. A maioria dos médicos não recebe treinamento para reconhecer sinais de alimentação desordenada, o que limita o alcance das novas recomendações.
O problema cresce porque muitas pessoas obtêm o medicamento por telemedicina, com pouca supervisão profissional. Em levantamento com 49 sites que vendem o produto, só um terço exigia contato direto com médico antes da prescrição.
"Começamos a prescrever um medicamento muito, muito sério sem conhecer plenamente todos os impactos que ele terá", diz Vanessa Longley, CEO da Beat, organização britânica que mantém linha de apoio para transtornos alimentares.
Publicidade
Um estudo recente sobre o uso do GLP-1 por pessoas sem necessidade médica aparente encontrou frequência de transtornos alimentares seis vezes maior nesse grupo do que na população em geral.
No Brasil, a preocupação já motivou alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria contra o uso das canetas em crianças sem indicação médica. O acesso ao medicamento também cresceu no país: genéricos derrubaram em até 35% o preço da caneta emagrecedora nos últimos meses.
O que acontece agora
O debate ocorre num momento em que os casos de anorexia e bulimia já sobem 71% no mundo em 33 anos, segundo levantamento publicado no fim de outubro. As novas recomendações ainda não têm prazo para virar regra obrigatória em nenhum país.






























