Explosões ouvidas no sul do Irã na noite de sábado (7 de novembro) reacenderam a guerra entre Estados Unidos e Irã que começou em 28 de fevereiro. A mídia estatal iraniana atribuiu os estrondos a atividades militares do próprio país, não a ataques dos EUA.

O conflito começou quando EUA e Israel atacaram Teerã após o fracasso de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O líder supremo Ali Khamenei morreu nos ataques iniciais, e seu filho, Mojtaba Khamenei, foi eleito o novo líder supremo pela Assembleia de Peritos dias depois.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã fechou o Estreito de Ormuz a embarcações consideradas hostis. Em 19 de março, os EUA iniciaram campanha aérea para reabrir a via, com apoio declarado de França, Alemanha, Itália, Japão, Países Baixos e Reino Unido.

Por que o estreito pesa tanto no preço do combustível

Pelo Estreito de Ormuz passam 20% da produção mundial de petróleo. Toda vez que um navio é atingido ali, o preço do barril reage.

O Brent caiu 13% na semana até 6 de novembro, depois de já ter caído 7,6% em outubro, quando Trump sinalizou que um acordo poderia sair.

Mas a trégua nunca se confirmou. Em outubro, analistas já apontavam risco de a guerra recomeçar após as eleições de meio de mandato dos EUA, o que Trump chegou a insinuar publicamente.

O que o Brasil sente com a guerra

No Brasil, o efeito direto é represado: a Petrobras seguia vendendo o diesel a R$ 3,57 por litro nas refinarias nesta semana, contra R$ 7,50 no mercado internacional, diferença coberta por R$ 3,52 de subsídio por litro, segundo o levantamento mais recente da reportagem.

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Do outro lado da conta, o conflito turbinou a venda de petróleo do Brasil à China, que passou a comprar mais do país para compensar a instabilidade no Golfo Pérsico.

Na sexta-feira (6 de novembro), dois petroleiros atingiram minas no Estreito de Ormuz e um tripulante morreu em um ataque anterior, atribuído a um míssil pela empresa dona do navio.

O ponto em aberto

Oito meses depois de uma guerra que matou o líder supremo do Irã e, segundo o Crescente Vermelho iraniano, deixou mais de 1.500 mortos só nas primeiras semanas, nem EUA nem Irã confirmam quem fez os disparos deste fim de semana.

A pergunta que fica é se a ambiguidade é só mais um episódio do mesmo impasse, ou o início de uma nova escalada.

Trump já telefonou ao emir do Catar para tratar da segurança do comércio marítimo na região, sinal de que Washington também trata o momento como delicado.