O presidente da Argentina, Javier Milei, propôs cortar de 25% para 15% o imposto corporativo para projetos de inteligência artificial com investimento mínimo de US$ 1 bilhão para transformar a Patagônia em polo de data centers. O Brasil já lidera a região nesse mercado.
Em Los Toldos, na estepe patagônica, um data center de 12 MW já funciona com gás que seria queimado como subproduto da extração de petróleo de xisto, segundo o Financial Times, reproduzido pela Folha.
Tomás Ocampo, fundador da Unblock Energy, planeja uma instalação de várias centenas de MW na zona rural argentina. Ele diz ter recebido uma enxurrada de ligações de investidores dos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato americanas.
"Antes de colocarmos data centers no oceano e no espaço, a Argentina faz muito sentido", disse Ocampo.
Como fica o incentivo fiscal argentino
O corte de imposto vale para projetos com investimento mínimo de US$ 1 bilhão e ainda depende de aprovação no Senado argentino, que também avalia o projeto Green Capital, em Chubut, com US$ 3 bilhões em 130 mil hectares.
O consumo de eletricidade estimado é de 2,7 vezes todo o consumo de Buenos Aires em 2025, dado que já alimenta a resistência de moradores da região.
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Não vamos regulamentar a inteligência artificial. Vamos deixá-la livre.
A frase foi dita por Milei em reunião da Câmara de Comércio dos EUA.
A oposição no Congresso argentino já modificou regras sobre compra de terras por estrangeiros e travou a autorização para que sistemas de IA administrem empresas sem presença humana.
Como o Brasil já sai na frente
O Brasil concentra 48% da capacidade de data centers em operação na América Latina e 71% de tudo que está em construção na região, segundo levantamento da Forbes Brasil. O país deve atrair US$ 33 bilhões até 2030.
O país também concentra três das cinco maiores posições regionais em capacidade instalada, à frente de México, Chile e Colômbia.
O avanço brasileiro pode render US$ 60 bilhões por ano até 2050, e o setor cresce no país enquanto trava nos Estados Unidos.
A disputa pela água que data centers consomem também é tema no Brasil. Um estudo mostrou que as instalações de IA em São Paulo usam 16,1 bilhões de litros de água por ano, preocupação que também mobiliza moradores da Patagônia.
O que acontece agora
O projeto de incentivos segue em tramitação no Senado argentino, sem data certa de votação. O projeto de maior destaque de Milei na área, anunciado em outubro do ano passado, pode ter estagnado, segundo a Folha.
O governo argentino não detalhou um novo cronograma. Grandes empresas de tecnologia, enquanto isso, seguem de olho nos dois países ao mesmo tempo.






























