A Associação de Produtores de Soja, Oleaginosas e Cereais do Paraguai (APS) alertou, em nota oficial, para o risco de propriedades rurais serem afetadas pela crise do Ueno Bank. A entidade cobra segurança jurídica para as terras usadas como garantia em empréstimos do banco.

A APS defende controles rigorosos sobre o uso de garantias imobiliárias e alerta para o risco de títulos de propriedade falsos ou irregulares serem aceitos no pagamento de dívidas bancárias. Para a entidade, a recuperação de recursos do banco não pode prejudicar proprietários legítimos.

O alerta lista crises bancárias anteriores no Paraguai como precedente de risco: o Bancosur, em 1995; o Banco Unión e o BIPSA, em 1997; o Banco Oriental, em 1998; e o Banco Alemán Paraguayo, em 2002.

O que mais a associação cobra

A APS também cobrou transparência sobre as aplicações feitas com recursos do Instituto de Previdência Social (IPS), formado por contribuições de trabalhadores e empregadores, incluindo os critérios usados nas operações e quem autorizou.

O dinheiro dos trabalhadores não pode ficar à mercê de interesses particulares.

A frase é da própria APS, em nota. A entidade defende ainda prioridade na restituição de valores a poupadores afetados, sobretudo microempreendedores e trabalhadores com renda diária.

Como a crise já afeta o Paraguai

O Ueno Bank fechou as portas na terça-feira (3 de novembro), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou a liquidação da instituição por insuficiência de recursos. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava US$ 850 milhões em depósitos.

A crise já derrubou o governo paraguaio: o ex-presidente Santiago Peña, acionista do grupo controlador do banco até março de 2025, foi preso após sofrer impeachment, e o vice Pedro Alliana assumiu o poder na sexta-feira (6 de novembro).

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Em publicação na rede social X, Alliana disse que já pagou mais de 1,19 milhão de contas afetadas, somando mais de 996 bilhões de guaranis, e prometeu manter os trabalhos durante todo o fim de semana.

O que acontece agora

Roger Maciel, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai, diz que empresas brasileiras não recuaram de investimentos já feitos no país, mas pausaram temporariamente estudos para novos negócios.

Ele compara o caso ao banco Master, no Brasil: o impacto do Ueno é menor em volume, mas proporcionalmente mais grave para a economia paraguaia.