A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou 12 canetas para tratar diabetes tipo 2 e obesidade em 2026, sendo dez à base de semaglutida e duas de liraglutida. Com a chegada dos genéricos, o preço caiu até 35% em relação ao Ozempic, medicamento de referência que custa entre R$ 975 e R$ 999.
A queda vem do fim da patente do Ozempic, que venceu em 20 de março de 2026 e abriu caminho para genéricos de semaglutida no Brasil. Desde maio, EMS, Cosmed, Ávita Care, Brainfarma, Sun Farmacêutica, Ranbaxy e Germed registraram versões do medicamento na Anvisa.
Uma das primeiras a chegar às farmácias foi a caneta nacional que custa R$ 333, menos de um terço do preço do medicamento de referência.
A EMS foi a mais ativa: aprovou a Ozivy em maio, um genérico em agosto e, no fim do mês passado, a Yluméc, sua segunda caneta de semaglutida.
A Germed também tem duas aprovações no período, incluindo o segundo genérico de semaglutida do país.
O que muda entre semaglutida e liraglutida?
A liraglutida exige aplicação diária, diferente da semaglutida, que é semanal. "A liraglutida exige uso diário, então o paciente precisa fazer a aplicação todos os dias", explica o endocrinologista Júlio Américo Batatinha.
Foi essa a substância aprovada na última terça-feira (8), quando a Anvisa liberou dois genéricos da EMS: Olire, para obesidade, e Lirux, para diabetes tipo 2.
Segundo a revista Exame, a EMS ainda precisa definir preço e data de lançamento dos dois produtos, e não se manifestou quando a publicação a procurou.
Quanto custam as opções hoje?
O preço varia conforme o fabricante e se o produto é de marca ou genérico. A diferença entre o medicamento de referência e as versões mais baratas já passa de R$ 600 por caneta, o equivalente a mais de um salário mínimo.
| Medicamento | Fabricante | Preço aproximado |
|---|---|---|
| Ozempic (referência) | Novo Nordisk | R$ 975 a R$ 999 |
| Ozivy | EMS | R$ 452 a R$ 498 |
| Demais genéricos (9 marcas) | Vários laboratórios | R$ 293 a R$ 323 |
A endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia do Hospital Felício Rocho, afirma que a escolha entre as opções deve considerar o diagnóstico, a perda de peso necessária e outras doenças do paciente.
"A gente precisa avaliar várias coisas, principalmente as comorbidades que o paciente possui", complementa a professora de endocrinologia Alana Rocha.
A multiplicação de marcas não torna os medicamentos intercambiáveis entre si, e a escolha não deve ser feita apenas pelo preço, segundo as especialistas. A avaliação médica continua obrigatória antes de trocar de caneta.
Uma pesquisa do instituto Ifepec com 1.067 médicos, encomendada pela Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) em maio, mostrou que 65% dos pacientes abandonam o tratamento por falta de dinheiro. Hoje, apenas 28% dos aptos conseguem custear o tratamento.
"O grande obstáculo hoje é o custo do tratamento. Quando analisamos que 65% dos pacientes abandonam a terapia por motivo financeiro, fica evidente a necessidade de ampliar o acesso por meio de mais concorrência", disse à época Edison Tamascia, presidente da Febrafar.
A mesma pesquisa calculou que uma queda de 35% no preço elevaria a viabilidade do tratamento a cerca de 45% dos pacientes aptos. É praticamente a redução que os genéricos entregam. O par Ozempic-Ozivy caiu de R$ 975 para R$ 293.
O mercado de medicamentos GLP-1 já movimentava R$ 13,3 bilhões por ano no Brasil antes da chegada dos genéricos.
O que acontece agora
A EMS ainda precisa definir preço e data de lançamento de Olire e Lirux. A Anvisa já sinalizou que pode aprovar mais registros até o fim de 2026, o que deve pressionar o preço ainda mais para baixo.


























