A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google na última terça-feira (9) por 97 perfis que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde no YouTube. O órgão deu 72 horas para a plataforma remover os vídeos ou sinalizar, de forma explícita, que os personagens são artificiais.
Os perfis usam avatares de aparência humana e atribuem a si qualificações profissionais fictícias. A linguagem é alarmista, para parecer confiável, e muitos prometem curas e tratamentos sem comprovação científica.
Parte do conteúdo mira especialmente a população idosa. Em alguns casos, o avatar usa a autoridade fictícia do personagem para vender produtos, e-books ou serviços pagos.
A notificação pede ainda que o Google avalie outros canais com o mesmo padrão, seguindo as próprias regras da plataforma sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético. Procurado, o Google não comentou o caso.
Os perfis foram identificados pelo programa Saúde com Ciência, que monitora desinformação em saúde na internet. O levantamento levou sete meses, entre janeiro e julho deste ano, até resultar na notificação ao Google.
A força-tarefa reúne cinco órgãos: a própria AGU, o Ministério da Saúde, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Ciência e Tecnologia.
O caso repete um padrão já visto em outra frente digital. O portal mostrou como a regra de deepfake do TSE não cobre documento falso feito por IA, um vácuo parecido.
Nos dois casos, a fiscalização reage só depois que o conteúdo artificial já circula e o dano ao público já começou.
Do outro lado do mesmo esforço, o TSE reformulou neste ano a própria página de combate a fake news para a eleição de 2026.
O que acontece agora
A AGU deu à plataforma um prazo de 72 horas, contado a partir da notificação de terça (9), para remover ou sinalizar os vídeos. O prazo termina por volta desta sexta (12). O governo não detalhou que medidas tomará se o Google não cumprir.


























