A menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, morreu em 2 de fevereiro de 2021 ao ser atingida por um tiro de fuzil em frente de casa, no bairro do Badu, em Niterói (RJ), enquanto brincava com o irmão de 2 anos.
O caso voltou à campanha depois de Lula citá-lo no debate da Globo de sexta-feira (23) contra Flávio Bolsonaro.
O acusado pelo disparo é o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, preso em flagrante na ocasião. O Ministério Público do Rio de Janeiro o denunciou por homicídio qualificado com dolo eventual.
Segundo a denúncia, Delaroli efetuou disparos com fuzil calibre 7,62 mm em direção a uma área residencial e de lazer, assumindo o risco de matar. A defesa alega que houve confronto com traficantes no momento do disparo.
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A Polícia Militar informou que não houve confronto na comunidade naquele momento. A perícia recolheu no local apenas munições calibre 7,62 mm, e a mãe da vítima declarou que o militar foi o único a atirar.
Desde 2024, o senador Flávio Bolsonaro (PL) integra a defesa do policial, sem cobrar honorários, pelo Instituto Família Policial. Ele assinou recursos e acompanhou reuniões com magistrados em tribunais superiores para tentar anular o julgamento por júri popular.
Os recursos foram negados.
Tenho a confiança de que não foi esse policial que deu esse tiro.
A frase é de Flávio, dita no debate da Globo ao se dirigir à mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, presente na plateia ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin. Ele errou o nome dela e a chamou pelo nome da filha morta.
No debate da Band, em 18 de outubro, o caso já havia sido citado por Lula. Na ocasião, Flávio defendeu sua atuação: "Você não pode criminalizar a advocacia, Lula".
Segundo levantamento da consultoria Bites, o debate da Globo teve 1,5 milhão de citações em redes sociais até a manhã deste sábado (24). Ana Clara apareceu em 257 mil publicações, mais que a frase de Lula sobre "acabar com a polícia", citada em 194 mil.
O caso ultrapassou o debate: ativistas penduraram faixas na Ponte Estaiada, em São Paulo, e nos Arcos da Lapa, no Rio, pedindo que o público buscasse por "Ana Clara e Flávio Bolsonaro" na internet.
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O ministro André Mendonça, do TSE, vetou o impulsionamento de publicações que chamavam Flávio de "defensor de assassino de criança" nas redes, na mesma linha de outras decisões do tribunal que já restringiram propaganda negativa entre os dois candidatos neste 2º turno.
O episódio foi um dos pontos mais comentados do mesmo debate em que Lula chamou o adversário de "filhote do Vorcaro", na reta final de uma disputa que as pesquisas mostram tecnicamente empatada.
O que acontece agora
O processo aguarda julgamento por júri popular, depois que os tribunais superiores negaram os recursos da defesa contra essa etapa. Não há data marcada para a sessão. Brasileiros decidem a eleição neste domingo (25).































