O calor extremo se tornou uma ameaça crescente à saúde de grávidas e recém-nascidos, alertou a ONU em reunião ministerial em Fiji, no dia 5 de outubro. Pesquisa com 1.000 profissionais de saúde de cinco países, incluindo o Brasil, notou mais complicações ligadas ao calor.
A pesquisa foi encomendada pela Wellcome Foundation e ouviu obstetras, ginecologistas, médicos, parteiras e enfermeiras em 5 países entre 17 de setembro e 1º de outubro. O levantamento também mediu o efeito sobre os recém-nascidos.
O dado que mais preocupa a ONU é o último: quase 1 em cada 10 profissionais já relacionou o calor extremo a um natimorto ou a uma morte neonatal. "O quadro é claro e muito preocupante", disse Stiell.
O que o calor muda no corpo da gestante?
O calor extremo está ligado a partos prematuros, natimortos e complicações maternas. A cada 1°C a mais, o risco de parto prematuro sobe 5% e o de diabetes gestacional, 7%, segundo dados reunidos pela ONU.
Um estudo do British Medical Journal (BMJ) chegou a resultado parecido. Com 70 pesquisas em 27 países, mediu alta de 5% nos partos prematuros a cada grau e risco 16% maior durante ondas de calor.
Manter a calma simplesmente não é uma opção quando não há nenhum lugar fresco para ir.
A frase é de Simon Stiell, secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas (UNFCCC), dita em referência às gestantes sem acesso a ambientes refrigerados. Para ele, os efeitos do calor não são distribuídos igualmente entre as pessoas.
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Quem corre mais risco?
Quem trabalha ao ar livre, mora em casa sem proteção térmica ou depende de posto de saúde sem água, eletricidade ou refrigeração enfrenta risco maior, segundo a ONU. A distância até uma clínica também pesa quando o calor complica o parto.
No Brasil, o ginecologista e obstetra Rodolfo Pacagnella, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), citou as enchentes no Rio Grande do Sul como exemplo de evento climático que interrompeu serviços de pré-natal e assistência ao parto, segundo reportagem da Agência Brasil.
Para ele, o calor também pode aumentar a disputa por recursos entre grupos sociais, elevando a violência no entorno de gestantes. O país já vive esse cenário de perto: uma onda de calor chegou a 45°C logo no início da primavera.
No mesmo período, internações por insolação subiram 48% em Araçatuba, no interior de São Paulo. É o tipo de aumento que a ONU associa à falta de água, eletricidade e refrigeração nos serviços de saúde.
O que acontece agora
O tema deve voltar à mesa da COP31, a conferência do clima da ONU deste ano, sediada em Antalya, na Turquia. O Brasil, que sediou a COP30 em Belém, é citado como referência por priorizar saúde na agenda climática.





























