O capitão de um cargueiro com bandeira de Antígua e Barbuda morreu nesta quarta-feira (23) depois de um ataque russo no porto de Odessa, no Mar Negro, segundo autoridades ucranianas. O governador da região, Oleg Kiper, relatou o ataque à embarcação comercial.

"O inimigo atacou um navio de carga comercial que tinha bandeira de Antígua e Barbuda", declarou Kiper. O navio avançava pelo Mar Negro no momento do ataque. A Autoridade de Portos Marítimos da Ucrânia informou o ataque.

"O capitão do navio, um cidadão ucraniano, morreu", acrescentou o governador.

Pelo menos 226 navios civis e comerciais foram atingidos no Mar Negro desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, segundo a câmara marítima turca IMEAK. Quase 70% desses ataques, 163 no total, aconteceram nos primeiros oito meses de 2026.

Somente em julho, foram 35 ataques a navios em portos e 22 no mar, segundo o Ministério da Infraestrutura da Ucrânia, contra 14 em todo o ano de 2025.

A Turquia enviou à Rússia e à Ucrânia uma proposta para encerrar os ataques contra navios civis no Mar Negro. Até a apuração desta reportagem, nenhum dos dois países havia respondido à iniciativa turca.

Por que isso chega ao Brasil

Isso chega ao Brasil pela importação de trigo. A safra 2026/27 deve cair 26,2%, para 5,8 milhões de toneladas, segundo a Conab, e o país vai precisar importar mais trigo do exterior quando a guerra aperta a oferta global do grão.

O Ministério da Agricultura russo revisou a projeção de embarques da safra 2026/27 de 17,6 milhões para 8,3 milhões de toneladas. A capacidade de exportação de grãos pelo Mar Negro caiu mais de 97% com os ataques, segundo a Forbes Brasil.

As compras externas de trigo devem somar 7,103 milhões de toneladas, o maior volume desde 2006/07, segundo a Conab. O Brasil deve virar o 4º maior importador do grão no mundo, atrás de Egito, Indonésia e Argélia.

A Argentina responde por 83% das compras brasileiras de trigo, segundo dados de 2025, e funciona como amortecedor contra a alta em Chicago, onde o grão fechou no maior valor em três anos.

Moinhos brasileiros já preveem importar de 1 a 1,5 milhão de toneladas de fora do Mercosul em 2026, incluindo Rússia e Estados Unidos. Parte dessa compra pode vir justamente dos mercados que hoje sobem de preço por causa da própria guerra.

O milho segue lógica parecida. O grão subiu 5,8% em agosto no mercado de Campinas (SP), segundo o indicador Cepea/Esalq, mesmo com a Conab projetando a maior safra já registrada do grão.

O que acontece agora

O que acontece agora depende de Moscou e Kiev responderem à proposta turca de acabar com os ataques a navios civis no Mar Negro. Até esta quarta-feira, nenhum dos dois lados havia se manifestado sobre a iniciativa da Turquia.

A pressão diplomática também passou pelo Brasil. Na segunda-feira (21), o chanceler ucraniano Andrii Sybiha pediu ao ministro Mauro Vieira, em Nova York, que o país usasse sua voz nas rotas do Mar Negro, durante a Assembleia Geral da ONU.

Autoridades russas não haviam se pronunciado sobre o ataque desta quarta-feira até o fechamento desta reportagem.