O prefeito de Barreiros (PE), Carlinhos da Pedreira (PP), expulsou dois médicos do hospital municipal da cidade na noite de quarta-feira (4 de novembro), em vídeo que viralizou nas redes sociais. Ele os acusou de dormir e 'namorar' durante o plantão.
A fiscalização surpresa, motivada por denúncias de falta de médicos na unidade, aconteceu por volta das 22h, quando o prefeito voltava do Recife. A emergência do Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque estava lotada no momento.
Um absurdo o que vocês estão fazendo. Meus Deus do céu! A emergência lotada de gente e vocês aqui dormindo, namorando? É um absurdo. Vou botar para fora agora. Saiam daqui, desse hospital.
A fala é do prefeito, durante a abordagem aos profissionais no alojamento do hospital. Em seguida, ele chamou os dois de 'vagabundos'.
Em um podcast, Carlinhos da Pedreira disse que foi "bater em quarto a quarto" até encontrar os dois médicos "no mesmo quarto, dormindo, e a população deixando de ser atendida". Ele classificou a situação como "negligência médica" e disse que demitiu os profissionais na hora.
A versão que mudou
Horas depois, após a repercussão do vídeo, o prefeito publicou um novo pronunciamento sobre o caso. Dessa vez, não mencionou a acusação de "namoro" e disse apenas que os profissionais estavam "descansando" durante o horário de atendimento.
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a "exposição pública" dos plantonistas. Para o conselho, a fiscalização não dá a gestores o direito de expor médicos ao julgamento público. Questões sobre assistência devem seguir os meios institucionais e legais competentes.
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Já o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) disse que a presença dos dois profissionais em ambiente de repouso não autoriza insinuações sobre a vida íntima deles.
O g1 procurou a Associação João Paulo 2º e não obteve resposta.
O que acontece agora
A prefeitura de Barreiros rescindiu o contrato com a Associação Beneficente João Paulo II, responsável pela gestão do hospital. A partir de agora, a administração passa a ser direta pelo município, como medida emergencial, até a realização de uma nova licitação.






























