A propaganda eleitoral feita com inteligência artificial nos Estados Unidos movimentou mais de US$ 137 milhões no ciclo eleitoral de terça-feira (3 de novembro), segundo o Wesleyan Media Project. Em 2024, o mesmo tipo de anúncio movimentou apenas US$ 50 mil.

Pesquisadores chamam a prática de "slopaganda", mistura de propaganda com conteúdo de baixa qualidade gerado por IA. O termo nasceu da onda de anúncios que inundou a corrida pelo controle do Congresso americano.

Quase 81% dos anúncios identificados foram financiados por candidatos ou grupos ligados ao Partido Republicano, de Donald Trump. Os democratas responderam por 12%, e o restante veio de candidatos ou organizações independentes.

Um dos casos mais citados é o do democrata Abdul El-Sayed, candidato ao Senado por Michigan. Um anúncio contra ele usa uma imagem de família gerada por IA, mostrando o candidato, muçulmano e filho de egípcio, ao lado de mulheres com véus completos.

O vídeo traz as frases "Morte aos EUA" e "Celebre o 11 de Setembro", numa referência aos atentados de Nova York, e foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz.

Diferentemente da maioria, esse anúncio informa que foi feito com IA. Segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do Wesleyan Media Project, apenas 27% dos anúncios mapeados mencionam o uso da tecnologia.

O projeto identificou 220 anúncios políticos feitos com IA até o levantamento, mas os pesquisadores acreditam que o número real seja bem maior.

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A eleição de terça-feira renova as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado. O resultado também pode mexer no tarifaço que os EUA aplicam ao Brasil, segundo analistas.

Como fica a regra no Brasil?

No Brasil, o TSE proíbe o uso de deepfake na propaganda eleitoral, seja em rádio e TV ou na internet. Toda peça criada ou alterada por IA precisa avisar isso de forma explícita, e quem descumprir pode perder o registro ou o mandato.

A regra já foi testada: um vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA numa convenção do PL virou o primeiro caso analisado sob as novas normas do TSE.

O ponto em aberto

O Brasil tem regra; falta saber se ela basta. A legislação exige aviso explícito sobre o uso de IA e pune com cassação, mas o próprio TSE já reconhece que a norma sobre deepfake não cobre todo tipo de conteúdo falso gerado por IA.

Nos Estados Unidos, sem regra parecida, só 27% dos anúncios avisam que usam a tecnologia. É a distância entre o que a lei brasileira tenta evitar e o tamanho que o problema já tomou onde essa barreira não existe.