A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos (PCdoB), chamou de "inócua e ridícula" a autoproclamação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como "verdadeiro presidente eleito do Brasil". A fala, ao Poder360, trata de carta divulgada na quarta-feira (28 de outubro), já dos EUA.

Acho completamente fora de qualquer consistência, ou qualquer repercussão. É uma coisa inócua e ridícula.

Luciana Santos deu a entrevista em seu gabinete, em Brasília. Derrotado no 2º turno de 25 de outubro, Flávio citou no texto original o cargo de "presidente eleito".

Depois da repercussão negativa, divulgou uma segunda versão em que se identifica como "líder do Brasil".

Flavio Bolsonaro em evento de campanha, alvo da critica da ministra
Flávio Bolsonaro, que se autoproclamou presidente eleito em carta divulgada em 28 de outubro. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Por que a ministra fala em autoproteção?

Para a ministra, a fuga de Flávio aos Estados Unidos foi uma forma de "autoproteção" diante da Justiça brasileira, e abriu espaço para outras lideranças da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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"Ele foi o porta-voz do agradecimento a parte do povo brasileiro que votou. Porque quando você sai de cena, não existe espaço vazio na política", disse Luciana Santos sobre o protagonismo que Tarcísio ganhou na ausência do senador.

Ela também afirmou que Flávio "deve explicação ao povo brasileiro de por que ele está fugindo da Justiça brasileira", referência aos dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal em que o senador é investigado, incluindo o caso conhecido como "Dark Horse".

Quem é perseguido, segundo a ministra?

Luciana Santos contestou a tese de perseguição judicial citando a própria família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro (PL-DF), ex-primeira-dama, foi eleita senadora pelo Distrito Federal, e outro irmão também mantém mandato.

"Parte da família está aqui exercendo mandato. Quer dizer, só existe perseguição para ele, mas não existe para Michelle, que é senadora da República eleita, para o irmão do Bolsonaro, só para ele", declarou a ministra.

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Segundo ela, o motivo é outro: "É porque estão sendo apurados crimes que hipoteticamente ele cometeu, como é o caso do 'Dark Horse'."

O que acontece agora

A crítica da ministra chega num momento de racha dentro do próprio PL. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, também criticou a carta de Flávio e reconheceu a vitória de Lula no 2º turno, temendo o desgaste da imagem do partido.

Flávio segue nos Estados Unidos e pode ser cassado no Senado por causa da fuga, enquanto a Polícia Federal apura as circunstâncias de sua saída do país com passaporte italiano.