A reforma tributária pode dar ao Brasil o maior imposto sobre consumo do mundo. Uma nova estimativa, que soma o cálculo do Tribunal de Contas da União (TCU) para a CBS a uma projeção para o IBS, chega a 30,05%, acima da Hungria.

A Hungria tem hoje a maior alíquota padrão de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): 27%.

O cálculo do TCU aponta a CBS, tributo federal, em 11,3468%, arredondado para 11,3%. Somado à estimativa de 18,7% para o IBS, tributo estadual e municipal, o total chega a 30,05%.

Segundo projeções da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a soma dos novos tributos federais, estaduais e municipais pode superar 30%, o que gera reação do setor produtivo.

A alíquota de referência já havia estourado o teto legal em julho, quando o Comitê Gestor do IBS publicou o índice de 27,91%, 1,41 ponto acima do limite de 26,5% fixado na Lei Complementar 214/2025.

Quando isso acontece, a própria lei obriga o governo a enviar ao Congresso um projeto com medidas de ajuste. Até agora, isso não aconteceu.

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A CBS ainda depende de fixação pelo Senado, que tem prazo até meados de dezembro para votar a alíquota recomendada.

Se confirmado o valor de 11,3%, a CBS passa a valer em 2027, com o IBS incorporado aos poucos até 2033, ano em que a soma dos dois poderia colocar o Brasil no topo do ranking mundial de tributação sobre consumo.

O que isso muda no bolso do consumidor?

Quanto maior a alíquota final, maior o imposto embutido no preço de bens e serviços. A passagem aérea, por exemplo, deve encarecer até 16%. O desenho da reforma prevê cashback para famílias de baixa renda e isenção para a cesta básica.

O ponto em aberto

O prazo do Senado é curto, e a decisão é politicamente sensível. Baixar a alíquota da CBS significa abrir mão de arrecadação federal, e ninguém detalhou ainda de onde viria a compensação.

É essa conta, mais do que a comparação com a Hungria, que vai decidir se o Brasil assume ou evita o topo do ranking mundial de tributação sobre consumo.