A França mobilizou 70 mil policiais no sábado (31 de outubro) para um novo dia de protestos contra o custo de vida e a falta de professores. O Conselho de Estado mudou a rota da manifestação principal em Paris, por risco de novos distúrbios.
O percurso inicial, entre as praças da Bastilha e da Nação, no centro da capital, foi trocado por um trajeto na periferia, entre a Porta de Bagnolet e a Porta de Charenton.
O governo recorreu da decisão, e o Conselho de Estado deu razão à prefeitura.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou o risco do dia como "muito elevado", a mesma expressão usada pelo Conselho de Estado para justificar a mudança de rota.
Relembre o caso
A tensão é a mais alta desde 17 de outubro, quando confrontos, saques e incêndios deixaram 1 morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 detidos, segundo o Ministério do Interior.
O movimento começou em setembro com protestos estudantis por mais professores. Já no início de outubro, o chefe da polícia de Paris dizia que a mobilização tinha saído do controle.
Daí o movimento cresceu até reunir mais de 500 mil pessoas nas ruas, segundo o governo, ou até 800 mil, segundo a CGT, a maior central sindical do país. Ex-integrantes dos coletes amarelos de 2018 voltaram a aparecer nos atos.
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O padrão não é linear. A mobilização cresce, recua e volta a crescer, sem um pico único que explique o movimento inteiro.
A CGT já marcou um novo dia de mobilização e greve para 5 de novembro, e a líder do sindicato, Sophie Binet, avisou que a pressão não vai parar.
Continuaremos mobilizados enquanto não houver uma resposta adequada. O orçamento será decidido nas ruas.
Do lado do governo, a estratégia é separar quem protesta pacificamente de quem provoca violência. Depois dos ataques a prefeituras e ao comércio em outubro, o presidente Emmanuel Macron prometeu que os responsáveis seriam processados e punidos.
A crise tem fundo fiscal. A dívida pública da França se aproxima de um nível que já acendeu alerta global, o que limita a margem do governo para negociar.
Calmo um sábado, tenso no outro
Depois da violência de 17 de outubro, o protesto seguinte foi o mais tranquilo da sequência. Em 24 de outubro, 410 mil pessoas foram às ruas em todo o país, 110 mil delas em Paris, sem os confrontos das semanas anteriores, segundo o governo.
A folga durou uma semana. O retorno do medo mostra que a trégua de 24 de outubro não resolveu o que levou as pessoas às ruas, só adiou o próximo confronto possível.
O ponto em aberto
A França já teve um sábado violento e um sábado calmo no mesmo mês de outubro. A diferença entre os dois não foi o tamanho da manifestação, mas o que aconteceu nas margens dela.
Com a CGT prometendo nova mobilização para 5 de novembro, a pergunta que fica é se a mudança de rota e o reforço policial bastam para evitar um novo 17 de outubro.































