Os protestos contra o custo de vida que tomaram as ruas da França neste sábado (17) se espalharam, em menor escala, para Portugal, Itália, Bélgica e Albânia. Na França, as autoridades registraram 140 atos de rua fora da capital, Paris.

Os números de participantes na França variam conforme a fonte: o ministro do Interior, Laurent Nuñez, falou em cerca de 550 mil pessoas, enquanto outro ministro disse à AFP que o total passou de 800 mil.

O Ministério do Interior confirmou 400 detenções em todo o país.

O governo de Emmanuel Macron atribui a onda à "ultraesquerda", e a polícia usou gás lacrimogêneo contra manifestantes em Paris. Os protestos no país começaram em setembro, em escolas de ensino médio, antes de crescer para o atual tamanho.

Manifestantes com bandeiras e sinalizadores em protesto na Praça da República, em Paris
Protesto em Paris: manifestações contra o custo de vida já têm desdobramento em outros países da Europa Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Não há espaço para violência em nossa república.

A frase é de Macron, em publicação no X. Ele disse que quem atacou prefeituras e estabelecimentos comerciais será "processado e punido", e pediu união do país "contra os semeadores do caos".

Na Itália, a polícia dispersou com gás lacrimogêneo uma marcha perto da catedral de Milão, depois que parte dos manifestantes atirou pedras e levou lojas a fechar as portas. Em Bolonha, no norte do país, canhões d'água foram usados e 7 pessoas foram presas.

Na Bélgica, o mesmo método dispersou estudantes em Bruxelas e Liège, que protestavam contra o aumento dos custos da educação. Em Portugal, a central sindical CGTP falou em "dezenas de milhares" de manifestantes em Lisboa contra os custos de moradia.

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"Sou a primeira pessoa da minha família a ingressar em um programa de doutorado e, mesmo com tudo o que estudei, ainda não consigo me sustentar. Neste momento, a moradia em Lisboa é o problema", disse a bióloga Carolina Cruz, de 26 anos, à Reuters.

Carolina paga €716 de aluguel com um salário de €1.300 e pode ter que deixar o apartamento na renovação do contrato — a mesma conta que pressiona jovens em várias capitais europeias ao mesmo tempo.

O tamanho do protesto francês de hoje supera o de atos anteriores: há duas semanas, uma manifestação já havia reunido até 450 mil pessoas pelas ruas do país, depois de meses em que estudantes bloquearam escolas e faculdades em protesto.

A crise de moradia que levou portugueses às ruas também tem paralelo na Espanha, onde o tema já derrubou decretos do governo de Pedro Sánchez neste ano.

O ponto em aberto

Os protestos na França, Itália, Bélgica e Portugal têm datas, pautas e organizadores diferentes entre si. O que ainda não está claro é se o alastramento marca uma onda europeia coordenada.

A outra possibilidade é a coincidência de irritações nacionais distintas que, neste sábado, explodiram ao mesmo tempo.