O presidente ucraniano Volodimir Zelensky propôs nesta terça-feira (8) à Rússia uma trégua recíproca que suspenda ataques a redes de energia e à infraestrutura de exportação de grãos dos dois países. A proposta vem depois de os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, se reunirem com Vladimir Putin em Moscou e visitarem Kiev.

Segundo o Kyiv Independent, Zelensky disse que as ideias trazidas pelos enviados americanos ainda precisam ser testadas.

"Precisamos entender se conseguimos implementá-las e torná-las eficazes. Ainda não sei se vai funcionar", afirmou.

Witkoff e Kushner tiveram uma reunião de três horas com Putin no Kremlin no sábado (5). Foram a Kiev no domingo (6), a primeira visita deles à capital ucraniana desde o início da guerra.

Zelensky afirmou que grão e energia são "questões delicadas" não só para Rússia e Ucrânia, mas também para Índia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Egito e outros países que dependem do fluxo.

A Ucrânia responde por cerca de 45 milhões de toneladas de grãos exportadas ao mercado global por ano e é a maior exportadora mundial de óleo de girassol. Desse volume, 90% sai pelos portos de Odesa, Chornomorsk e Pivdenne.

A Rússia, até esta terça-feira, não havia aceitado formalmente a proposta. Moscou mantém as exigências apresentadas nas negociações anteriores, entre elas a cessão da região de Donbas pela Ucrânia e a desistência de ingresso na Otan.

Nenhuma das duas condições foi aceita por Kiev até agora.

O que muda no preço do pão no Brasil

Segundo Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a guerra afeta o Brasil pelo preço dos grãos. Sem um fluxo estável pelo Mar Negro, soja e trigo tendem a subir no mercado internacional.

Com a guerra, a Ucrânia já exporta cerca de 30% menos grãos do que exportava antes do conflito.

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O economista Ricardo Mello alerta que o encarecimento do trigo pressiona o preço de itens da cesta básica no Brasil, como pão e macarrão, e pode se refletir na inflação de alimentos.

O efeito de uma guerra travada a mais de 10 mil quilômetros chega à mesa do brasileiro pelo preço do pão francês.

O Brasil já sentiu esse movimento em agosto, quando o trigo disparou ao maior preço em três anos em meio à escalada de ataques no Mar Negro. Nem todo mundo perde com a alta, porém.

Produtores de soja do Brasil se beneficiam quando o preço internacional do grão sobe. Compradores que dependiam do girassol e do trigo do Mar Negro passam a buscar a soja brasileira como substituto.

O que acontece agora

Zelensky afirmou esperar se reunir com Trump por volta de 20 de setembro para avançar nas tratativas. Até lá, a expectativa em Kiev é que a Rússia responda formalmente à proposta de trégua na energia e nos grãos, algo que Moscou ainda não fez.

A pressão do calendário é o inverno que se aproxima. Autoridades ucranianas temem que a Rússia intensifique os ataques à rede elétrica do país nos próximos meses caso não haja acordo.