Um juiz federal rejeitou, no sábado (31 de outubro), o processo de difamação de US$ 10 bilhões que Donald Trump moveu contra o Wall Street Journal (WSJ) e Rupert Murdoch. É a segunda ação bilionária arquivada em definitivo em pouco mais de um ano.
O juiz Darrin Gayles, de Miami, já havia rejeitado o processo em abril, por falta de provas, e deu a Trump a chance de reapresentá-lo.
A nova versão, apresentada em maio, não convenceu. A decisão de sábado (31 de outubro) arquiva o caso em caráter definitivo, sem possibilidade de nova tentativa.
De fato, se essa fosse a lei, sempre que uma figura pública ou sua equipe negasse uma acusação, os jornalistas seriam imediatamente impedidos de publicar notícias negativas ou contraditórias, resultado que afronta a Primeira Emenda.
O juiz acrescentou que a reportagem do WSJ não ignorou a versão de Trump: informou aos leitores que o presidente chamou a carta de falsa e negou tê-la escrito.
Em nota, um porta-voz da Dow Jones & Co., controladora do WSJ, disse que a empresa está satisfeita com a decisão do tribunal. A Casa Branca não respondeu a pedido de comentário até a publicação da decisão.
Por que isso se repete
Não é a primeira vez. Em 19 de setembro de 2025, outro juiz federal da Flórida, Steven Merryday, rejeitou um processo de Trump contra o New York Times, de US$ 15 bilhões, por um motivo diferente: a petição era longa demais.
Uma queixa não é um megafone de relações públicas ou um palanque para um comício político.
A petição tinha 85 páginas, e a acusação de difamação só aparecia na página 80. Merryday deu a Trump 28 dias para reapresentar, limitada a 40 páginas; o processo citava quatro jornalistas, um livro e três artigos sobre as finanças de Trump.
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O Times chamou a ação de infundada e classificou a tentativa como mais um capítulo de uma disputa mais ampla entre a Casa Branca e a imprensa.
A tensão também aparece em outras frentes: a criação da Trump TV mudou o equilíbrio entre o governo e os veículos tradicionais nos últimos meses.
Em setembro, a Casa Branca baniu a CNN e o Politico de suas dependências, numa disputa que também foi parar na Justiça.
O ponto em aberto
Duas derrotas judiciais em pouco mais de um ano não impediram Trump de voltar à Justiça contra a imprensa. Os dois casos miravam reportagens que o incomodavam politicamente.
A pergunta que fica é até onde vale a pena processar jornais grandes, mesmo com poucas chances de vitória.































