O Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCC) se reúne entre a próxima segunda-feira (26) e quinta-feira (29), em Pequim, na plenária mais importante da sigla antes do 21º Congresso Nacional, marcado para 2027, no que pode ser o início da sucessão de Xi Jinping.

É a quinta plenária do atual Comitê Central, eleito em 2022. O estatuto do partido exige ao menos um encontro por ano, mas na prática costumam ocorrer sete entre um congresso e outro.

Segundo a Xinhua, a pauta oficial é o "avanço contínuo da governança partidária abrangente e rigorosa". A escolha foge do padrão: a quinta plenária costuma discutir o plano quinquenal, que define prioridades de desenvolvimento para os cinco anos seguintes.

Em 30 de julho, o Birô Político já havia decidido concentrar a pauta em disciplina interna, segundo o State Council Information Office da China. A data exata, 26 a 29 de outubro, só foi confirmada pela imprensa estatal chinesa em 21 de setembro.

O próximo ano, portanto, será o mais próximo que o sistema chinês já chegou de uma 'temporada de campanhas'. As movimentações de pessoal se intensificarão, a disciplina partidária se fortalecerá, e haverá disputas políticas e negociações acirradas.

A frase é de Damien Ma, diretor da organização Carnegie China, que também avalia que grande parte do processo de sucessão será previsivelmente opaco para quem está de fora.

O foco em disciplina se liga aos expurgos recentes no partido e nas Forças Armadas. Na Comissão Militar Central, composta originalmente por sete integrantes, cinco foram expulsos ou investigados por corrupção, restando apenas o vice-presidente Zhang Shengmin e o próprio Xi.

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Um editorial de janeiro do PLA Daily, jornal das Forças Armadas, afirmou que os generais Zhang Youxia e Liu Zhenli "traíram gravemente a confiança e a missão" dadas pela cúpula do partido.

O mesmo editorial diz que os dois fomentaram problemas políticos e de corrupção que atingem o comando do partido sobre as Forças Armadas.

O que isso significa para o Brasil?

A estabilidade política chinesa pesa no bolso do agronegócio: a China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos.

O comércio entre os dois países bateu recorde de US$ 143 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, alta de 11,1% sobre o mesmo período de 2025. As exportações brasileiras somaram US$ 84,7 bilhões, com superávit de US$ 26,1 bilhões para o Brasil.

Impulsionado pelas vendas de petróleo, o Brasil ultrapassou a Arábia Saudita como 2º maior fornecedor de óleo à China em outubro, reforçando o peso da relação bilateral.

A relação também tem atrito: o Brasil esgotou em setembro a cota anual de carne bovina livre de sobretaxa que a China concede, e os embarques excedentes agora pagam 55% de sobretaxa além da tarifa regular de 12%.

Em setembro, o chanceler Celso Amorim entregou a Xi Jinping uma carta do presidente Lula que criticava a ingerência dos Estados Unidos na região.

O que acontece agora

A plenária começa segunda-feira (26) e termina quinta-feira (29). O encontro deve definir a data do 21º Congresso Nacional do PCC, marcado para 2027, quando a sucessão de Xi Jinping deve se concretizar de fato, segundo analistas ouvidos pela Folha.