A fábrica da BYD em Camaçari (BA), a maior unidade da montadora chinesa na América Latina, soma 7.618 funcionários diretos um ano após a inauguração. Desde 2024, a Polícia Federal emitiu 2.310 vistos de residência para chineses na região, segundo dados do g1.
A planta foi inaugurada em outubro de 2025, ainda com parte do projeto em obras. Em menos de um ano, mais de 100 mil carros já saíram da linha, parte deles entre os elétricos mais vendidos do país.
Parte dos carros ainda chega em kits importados da China, montados na linha de Camaçari. A fabricação local já aparece em outros modelos, como o híbrido flex produzido no Brasil.
No início de 2026, vídeos nas redes sociais espalharam a informação falsa de que a BYD traria 10 mil chineses para Camaçari, associando a obra a uma "invasão chinesa". A Aos Fatos desmentiu o boato.
Do total de 7.618 funcionários diretos, 457 (6%) são estrangeiros, a maioria chineses, segundo a empresa.
Camaçari tem pouco mais de 300 mil habitantes.
A cidade não formou uma Chinatown: os funcionários chineses estão espalhados em hotéis e condomínios fechados, sem bairro de concentração.
Publicidade
Muitos comem no refeitório da própria fábrica, que reserva uma área para pratos chineses e outra para comida brasileira. A integração é discreta, mas a rotina de trabalho chama atenção de quem vive perto deles.
"A gente [brasileiro] chega em casa, toma um banho, deita no sofá, assiste televisão… Eles não, continuam trabalhando depois de chegar em casa. São muito reservados", disse a corretora Cássia Cotia, que vive em um condomínio com mais de 60 imóveis alugados para chineses.
O resgate que marcou a chegada dos operários chineses
Antes da inauguração, a chegada em massa de operários chineses teve um episódio grave: em 23 de dezembro de 2024, uma força-tarefa resgatou 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão em quatro alojamentos ligados à obra.
A operação reuniu o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério do Trabalho e Emprego, a Defensoria Pública da União, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal.
Segundo o MPT, havia um banheiro para cada 31 trabalhadores dos alojamentos, que acordavam às 4h para formar fila antes do turno. A terceirizada retinha passaportes e pagava só 40% do salário em moeda chinesa.
Em nota, a BYD afirmou que "não tolera desrespeito à lei brasileira e à dignidade humana" e disse ter rescindido o contrato com a terceirizada. O Itamaraty suspendeu temporariamente os vistos de trabalho para a obra, em consulta com o Ministério da Justiça.
O comércio entre Brasil e China bate recorde em 2026, pano de fundo que ajuda a explicar a pressa das montadoras chinesas no país.
O que acontece agora
A fábrica da BYD deve começar a produção totalmente local, sem kits importados da China, até o fim de 2026. É o próximo teste: saber se ela repete na linha o ritmo de vendas que já tem nas concessionárias.





























