O Brasil registrou média de 35 denúncias de assédio eleitoral no trabalho por dia em outubro, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). Até 19 de outubro, o órgão havia recebido 663 denúncias neste mês, às vésperas do 2º turno das eleições, no domingo (25).
Assédio eleitoral no trabalho acontece quando o empregador tenta interferir no voto do empregado. As formas incluem ameaça de demissão ou de corte de salário, entrega de santinhos ou eventos políticos dentro da empresa.
As principais vítimas são trabalhadores da iniciativa privada, geralmente de menor renda e mais vulneráveis ao poder econômico do empregador. No setor público, o alvo costuma ser quem ocupa cargo comissionado, pressionado por gestores.
Por que as denúncias dispararam
O salto não significa, necessariamente, mais casos de assédio: o MPT atribui parte da alta a uma conscientização maior de que a prática é crime, o que estimula mais gente a denunciar.
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O órgão também ampliou plantões eleitorais para os fins de semana, firmou acordos de cooperação técnica com o TSE e o Ministério Público Eleitoral, e passou a usar inteligência artificial para classificar denúncias e identificar quando mais de uma é sobre a mesma empresa.
O fenômeno já vinha sendo mapeado por nós em outubro: de janeiro a 15 de outubro, o MPT somou 1.341 denúncias em 2026, quase dez vezes as 85 do mesmo período de 2022.
Em nota, o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, afirma que o quadro revela dois movimentos:
De um lado, revela a persistência de práticas de pressão e constrangimento político nas relações de trabalho. De outro, reflete uma maior conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos e a ampliação dos canais de denúncia.
Em 67% dos casos analisados pelo MPT em 2026, a coação eleitoral no trabalho aconteceu pelo WhatsApp. Já foram firmados 36 termos de ajustamento de conduta, e outras 25 ações civis públicas foram ajuizadas, das quais 24 tiveram liminar concedida.
O que acontece com quem denuncia
As denúncias podem ser anônimas, pelo site do MPT. O órgão investiga e contata a empresa; em caso de irregularidade, pode propor um termo de ajustamento de conduta ou, se houver resistência, mover ação civil pública que pode terminar em multa milionária.
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Para o trabalhador, a linha é clara: o voto é livre, e o emprego não pode virar moeda de troca.
O MPT já mirou nomes grandes. Em setembro, processou a Havan e o empresário Luciano Hang, pedindo R$ 30 milhões, por suspeita de pressão a funcionários.
O que acontece agora
Os plantões de fim de semana do MPT seguem até a votação de domingo (25), quando termina o 2º turno das eleições de 2026.





























