Um grupo de 12 congressistas democratas dos Estados Unidos, liderado pela deputada Sydney Kamlager-Dove, enviou carta nesta terça-feira (6) ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo Trump de tentar influenciar o resultado das eleições presidenciais no Brasil, a 18 dias do segundo turno.
A carta cita a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em agosto, como a mais recente escalada de um esforço contínuo para mexer no resultado da disputa brasileira.
Chama a medida de "extraordinária e sem precedentes" contra a representante de um país aliado. Assinam o documento Gregory Meeks, democrata mais graduado no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, além de McGovern, Jayapal, Velázquez e Crockett.
Quais ações do governo Trump a carta questiona?
A carta lista cinco ações do governo Trump: a revogação do visto de Viotti, sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes, tarifas sobre produtos brasileiros, tentativa de reunião com o senador eleito Flávio Bolsonaro e questionamento da credibilidade do processo eleitoral.
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O visto de Viotti foi cancelado depois de o governo Trump alegar que o Itamaraty demorava para aprovar o novo embaixador americano no Brasil, Daniel Perez. As sanções a Moraes foram aplicadas com base na Lei Magnitsky, usada contra autoridades estrangeiras.
Os democratas deram ao Departamento de Estado até 20 de outubro para responder às perguntas, cinco dias antes do segundo turno da eleição brasileira, marcado para 25 de outubro.
O governo Trump já respondeu a cobranças parecidas?
Não à última. Uma carta anterior, assinada por 30 deputados e pelo senador independente Bernie Sanders, tinha prazo de resposta em 1º de outubro, que o governo não cumpriu.
"Como é de praxe na administração Trump, o prazo não foi cumprido", disse a assessoria da deputada democrata Delia Ramirez à CNN Brasil. É a terceira carta enviada por parlamentares democratas em duas semanas sobre o tema.
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O governo americano já havia negado interferência antes. Em 23 de setembro, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou à CNN Brasil, em resposta a declarações do presidente Lula sobre o tema:
"Nos Estados Unidos, estamos focados nas nossas prioridades. Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia."
A Polícia Federal chegou a abrir um procedimento preliminar para apurar suposta interferência estrangeira no processo eleitoral. Arquivou o caso nesta quarta-feira (7), por falta de indícios de crime, um dia depois do envio da carta dos democratas.
O prazo de 20 de outubro vence antes do segundo turno da eleição brasileira, e o histórico recente sugere que o governo pode repetir o silêncio da carta anterior.





























