O governo Trump retirou nesta quarta-feira (14) as sanções contra Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia da Venezuela e irmão da líder interina Delcy Rodríguez. A medida do Tesouro americano é mais um passo do realinhamento entre Washington e Caracas, ligado ao petróleo venezuelano.
Jorge Rodríguez havia sido sancionado em 2018, junto com a irmã. O Tesouro retirou Delcy da lista em abril, três meses depois de os EUA capturarem o ditador Nicolás Maduro em Caracas; agora fez o mesmo com o irmão dela.
O Departamento do Tesouro não detalhou os motivos da decisão. Segundo a CNN, ela integra o reconhecimento americano ao governo interino, dentro do mesmo plano que já esteve em pauta no encontro entre Trump e Delcy na ONU: estabilização e transição democrática no país.
O que é o plano de três fases dos EUA
O plano, atribuído ao secretário de Estado americano Marco Rubio, prevê três etapas: desmantelar a estrutura repressiva do regime, promover a recuperação institucional do país e, por fim, uma transição democrática com eleições livres, sem data confirmada até agora.
Delcy Rodríguez prometeu, na ONU, que o país vai realizar eleições, mas sem cravar uma data. A oposição, liderada pela Nobel da Paz María Corina Machado, exige que elas ocorram até julho de 2027.
Machado afirmou publicamente que há divergências com o governo Trump sobre o cronograma da transição. Ela diz esperar retornar à Venezuela ainda em 2026, em coordenação com os americanos.
Jorge Rodríguez iniciou, nesta mesma quarta, mais uma rodada de negociações com uma ala da oposição venezuelana, apoiada pelos americanos, para reformular o sistema político do país antes das eleições.
Publicidade
Por que o petróleo está no centro do acordo
No centro da aproximação está um acordo energético de 25 anos entre Caracas e Washington, que dá aos EUA acesso a 17 campos com potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo.
O acordo prevê investimento de US$ 100 bilhões e deve gerar mais de US$ 209 bilhões em receita para o Estado venezuelano ao longo do contrato. A meta é elevar a produção de petróleo bruto de 1,23 milhão para 1,5 milhão de barris por dia.
A Venezuela anuncia um acordo histórico com o governo dos Estados Unidos, que terá um impacto significativo no renascimento da nossa nação.
A declaração é de Delcy Rodríguez, à época do anúncio do acordo, em agosto.
O interesse por petróleo venezuelano já chegou ao Brasil. A Eneva, maior operadora privada de gás natural do país, assinou memorando com a Halliburton para prospectar petróleo e gás na Venezuela.
É a segunda empresa brasileira a entrar no país desde a captura de Maduro, depois de uma primeira onda de empresários que visitou Caracas.
O ponto em aberto
O acordo de petróleo tem duração de 25 anos, prazo bem mais longo que qualquer cronograma de transição democrática discutido até agora. A pergunta que fica é se o interesse econômico já consolidado sobrevive, inalterado, ao resultado político que a própria Casa Branca diz querer.





























