A Eneva, maior operadora privada de gás natural do Brasil, assinou memorando com a Halliburton para prospectar petróleo e gás na Venezuela. A empresa é a segunda brasileira a entrar no país desde a captura de Maduro pelos EUA, em janeiro.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as conversas entre as duas empresas já duravam meses. A formalização ocorreu nesta semana, com o anúncio partindo de Caracas.

A Eneva tem o BTG Pactual como acionista individual majoritário. Seus executivos têm viajado com frequência à capital venezuelana, segundo diplomatas ouvidos pela reportagem.

O memorando foi assinado na segunda-feira (21) e amplia uma parceria que as duas empresas já mantêm no Brasil. Lá, a Eneva tem capacidade para produzir 9 milhões de m³ de gás por dia, segundo o site Eixos.

Entre as possibilidades em estudo estão projetos de geração termelétrica a gás, favorecidos por mudanças na regulação venezuelana. O acordo ainda não aponta campos específicos nem metas de produção.

Desde o acordo fechado entre Caracas e Washington no fim de agosto, os Estados Unidos controlam mais de 21% das reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.

Ao anunciar o pacto, o presidente Donald Trump prometeu mais de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões) em investimentos para o país. A Folha de S.Paulo aponta, no entanto, pouca transparência sobre o fluxo desse dinheiro no setor desde janeiro.

Os números da Opep mostram o efeito da reabertura na produção. A Venezuela extraiu 1,2 bilhão de barris de petróleo por dia em agosto, ante uma média de 1,08 bilhão de barris diários em 2025.

A diferença representa alta de cerca de 11% na produção diária.

A Eneva é a segunda grande empresa brasileira a aproveitar a reabertura do setor. A JBS, dos irmãos Batista, comprou quase 50% da Petroraima, que opera no Orinoco. A gestora Alvorada Heavy Industries, ligada a um ex-sócio do BTG, também ampliou a produção na região.

A movimentação soma-se a outros passos do empresariado brasileiro no país. Em junho, uma comitiva de empresários brasileiros visitou a Venezuela após a captura de Maduro.

A aproximação também passa pela diplomacia oficial. Em setembro, o governo da Venezuela levou energia e a dívida do país à mesa de negociação com os Estados Unidos.

Em paralelo, a Venezuela também negocia transferir US$ 4 bilhões em ouro para os Estados Unidos. É outro capítulo da reaproximação econômica que se seguiu à queda de Maduro.

Mesmo sem valores ou prazos definidos, empresas brasileiras já avançam sobre o petróleo da Venezuela reaberta.

O que acontece agora

O memorando entre Eneva e Halliburton ainda não define campos, valores ou metas de produção na Venezuela, segundo o Eixos. A próxima etapa é identificar, em conjunto, as áreas de desenvolvimento, aproveitando a parceria que as duas empresas já mantêm no Brasil.