O cientista político Manoel Santos, da UFMG, afirmou que o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro pode mudar de rumo: votos brancos, nulos e de abstenções do primeiro turno migram para Lula, a imagem de Flávio piora em pesquisa sobre medo e jovens engajam nas manifestações de rua da campanha petista.

Votos brancos, nulos e pesquisa sobre medo pesam a favor de Lula

Manoel Santos, coordenador de pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisou a migração de eleitores que apoiaram candidatos eliminados no primeiro turno.

"Os outros candidatos que saíram da disputa, em função do segundo turno, eles estão achando mais votos para Flávio, como era esperado, do que para Lula, em proporções diferentes, mais para Lula do que para Flávio", disse.

Para o professor, o dado que mais chama atenção está em outro grupo de eleitores. "A grande novidade dessa pesquisa, para mim, está nos votos brancos e nulos", afirmou.

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Segundo Santos, quem votou branco ou nulo, ou não foi às urnas no primeiro turno, hoje diz preferir majoritariamente Lula.

O professor citou o instituto Quest como fonte, mas não detalhou na entrevista a ficha técnica da pesquisa, como período de coleta, número de entrevistados, margem de erro ou registro no TSE.

"Isso ajudou ele a diminuir essa diferença", avaliou. "À medida em que a abstenção vai diminuindo, me parece que a tendência vai ser que o Lula melhore sua posição em relação a Flávio Bolsonaro em uma sequência", completou.

Outro ponto destacado por Santos foi a pergunta sobre medo incluída na mesma pesquisa. "Esse é um dado importante, que saiu, essa pergunta do medo, que a Quest faz e que eu acho super interessante", afirmou.

Para ele, a leitura do resultado não é simples. "Não é que o Lula melhorou, é que o Flávio Bolsonaro piorou", explicou.

Atos de rua são a grande novidade da campanha

Santos apontou as manifestações de rua como o fator mais inédito desta eleição. "Se eu tivesse que destacar uma coisa diferente que não aconteceu no primeiro turno e que está acontecendo agora, são as manifestações de rua da campanha do presidente Lula", disse.

Segundo ele, um segmento de jovens se engajou fortemente nas atividades da campanha petista.

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"Então essa eleição que vem sendo muito apática, muito dependente das redes sociais e muito marcada por uma discussão que não é substantiva, ou seja, mais sobre corrupção, STF e outras coisas, o que afasta o eleitor", descreveu.

Para ele, as ruas trouxeram algo novo ao cenário, embora ainda sem dimensão clara. "A gente não sabe o tamanho ainda nem o impacto disso. Na votação, não é um resultado da eleição, mas isso é de fato uma novidade", ponderou.

"A campanha ganhou as ruas."

Esse movimento, para Santos, mostra maior articulação do entorno de Lula neste momento da disputa. "Nesse campo aí, me parece que o presidente Lula está mais articulado, ou seja, a reação em seu favor foi maior", concluiu.