Os credores do Grupo Fictor aprovaram, nesta quarta-feira (14), suspender a assembleia que decidiria o plano de recuperação judicial da empresa, para ajustar a proposta. A decisão teve 86% dos votos, numa reunião com 4.782 credores que representam cerca de R$ 1,4 bilhão em créditos.

A suspensão permite incorporar contribuições dos credores e da equipe técnica de reestruturação ao plano revisado. A retomada da assembleia está marcada para 4 de dezembro, segundo comunicado da empresa.

Os credores também aprovaram, com 90% dos votos, a formação de um Comitê de Credores para acompanhar o processo e representar os interesses do grupo nas negociações.

"Esse processo tem sido fundamental para identificar pontos de convergência e construir um plano que concilie os interesses dos credores com a continuidade das atividades da companhia", afirmou o CEO do Grupo Fictor, em nota.

A ligação com o rombo do Banco Master

A crise da Fictor nasceu de um negócio que não se concretizou. Em 17 de novembro de 2025, a empresa anunciou que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação do banco.

A Fictor diz que o pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez provocada por esse episódio. A dívida total soma R$ 4,25 bilhões, e o grupo pretende quitar tudo sem desconto, negociando apenas o prazo.

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Uma das alternativas propostas é usar direitos creditórios de um fundo ligado ao antigo Banco Master para pagar parte da dívida. O rombo do Banco Master é considerado o maior da história do país.

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, é alvo de investigações desde a liquidação. Ele depôs à Polícia Federal em agosto sobre ataques ao Banco Central.

O que acontece agora

As recuperandas têm até 18 de novembro para apresentar o novo plano nos autos do processo. Os credores vão deliberar sobre a proposta revisada na assembleia remarcada para 4 de dezembro.