Wagner Moura, Fernando Meirelles, Petra Costa e outros 55 membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, assinaram uma carta aberta neste sábado (10) pedindo atenção internacional ao segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
A carta, divulgada pela revista americana Variety, também é assinada por Kleber Mendonça Filho, Rodrigo Teixeira (produtor de "Ainda Estou Aqui"), Alice Braga, Sônia Braga, Anna Muylaert, Gabriel Mascaro e Karim Ainouz. Ao todo, são 58 nomes do cinema nacional.
"Testemunhamos sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil que exigem investigação transparente e escrutínio internacional", diz o texto.
Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são ações indissociáveis da defesa da democracia.
O que a carta cita como motivo de alerta
O texto cita três episódios recentes como sinais de possível interferência no pleito. O primeiro é a destinação de US$ 1 milhão pelo governo dos Estados Unidos a um programa chamado "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil", revelada pelo jornal britânico The Guardian.
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Segundo o Guardian, o valor integra uma redistribuição de US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano para 43 projetos. A verba foi direcionada poucas horas antes do fim do ano fiscal americano, em 30 de setembro.
O segundo ponto é a preocupação com distorções no alcance de conteúdo político nas plataformas da Meta, citada por observadores da mídia. Entre os casos estão contas do presidente Lula no Instagram, que teriam sofrido queda de alcance e dificuldades de visibilidade.
O terceiro é o caso da criptomoeda B22, revelado pela Folha de S.Paulo: um site sediado nos Estados Unidos oferecia tokens a quem divulgasse conteúdo favorável ao voto em Flávio Bolsonaro, afirmando destinar parte dos recursos a crianças de Uganda.
A carta também cita as propostas de Flávio Bolsonaro de reescrever a Constituição e menciona o fechamento do Ministério da Cultura e a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual sob o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
O que acontece agora
O governo brasileiro já havia pedido à Polícia Federal que investigasse o financiamento dos EUA a grupos da direita brasileira, antes mesmo da carta dos cineastas. O lobby do deputado Eduardo Bolsonaro para a liberação da verba já havia sido documentado nos mesmos registros.
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O esquema de criptomoeda citado na carta também é alvo de ação judicial: a campanha de Lula acionou a Justiça contra Flávio pelo caso B22.
A suposta distorção de alcance nas redes da Meta também virou disputa formal: a campanha petista acionou o TSE contra a plataforma por suposto favorecimento a Flávio.
Até a publicação desta reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado publicamente sobre o conteúdo da carta dos cineastas. O segundo turno acontece em 25 de outubro.





























