Moradores de Mogi das Cruzes (SP) estão retidos no Aeroporto de Orlando, nos Estados Unidos, neste sábado (10), após o cancelamento da conexão pela Cidade do Panamá. O Aeroporto Internacional de Tocumen fechou na sexta-feira (9) depois de um terremoto de magnitude 7,7.
O jornalista André Martinez e a esposa, a contadora Andressa Wuo, embarcariam de Orlando ao Panamá para depois seguir a São Paulo. O voo, previsto para as 15h20 de sexta-feira (horário local), foi adiado várias vezes.
Os passageiros chegaram a entrar na aeronave por volta das 20h e ficaram cerca de duas horas a bordo antes do cancelamento.
"Nós estamos aqui no aeroporto de Orlando, com destino ao Panamá, onde faremos uma conexão para São Paulo. Nosso voo seria ontem, foi cancelado", afirma André.
Eu sei que nós estamos presos aqui, muitos outros brasileiros presos aqui, esperando uma definição se a gente vai conseguir embarcar num outro voo ou numa outra data.
Durante a espera em Orlando, Andressa pediu um voucher de refeição e teve o pedido negado pela companhia aérea. Segundo ela, a justificativa foi de que o problema estava ligado a "condições climáticas" e que a empresa não se responsabilizaria pela assistência.
As regras sobre o que a companhia deve oferecer em caso de cancelamento preveem alimentação proporcional ao tempo de espera.
O que aconteceu no Panamá
O Sistema Nacional de Proteção Civil do Panamá contabilizou 27 feridos, todos em estado leve, no terremoto de sexta-feira. A província de Coclé teve o maior número, com 17 pessoas atingidas, seguida por Los Santos (6), Veraguas (1) e Herrera (1).
O tremor danificou casas, escolas, hospitais, estradas e pontes, e deixou algumas comunidades isoladas por via terrestre. Segundo boletim do Ministério da Educação do país, 188 escolas em todo o território foram afetadas.
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Dois menores também se feriram em Panamá Oeste. Até as 20h de sexta-feira, horário local, o órgão de proteção civil não tinha registro de pessoas desaparecidas.
Em nota publicada na noite de sexta-feira, o Itamaraty informou que não havia registro de brasileiros feridos pelo terremoto e que a embaixada em Panamá mantém plantão de emergência para atender cidadãos, caso necessário.
"O Brasil manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo panamenhos, desejando o pronto restabelecimento da normalidade nas áreas afetadas", diz o texto.
A nota trata de feridos dentro do Panamá, mas não alcança quem ficou com a viagem interrompida fora do país, como o casal de Mogi das Cruzes.
É o mesmo tipo de nota que o Itamaraty emitiu em agosto, depois de um terremoto na Colômbia.
A Copa Airlines informou, em rede social, que retomou as operações depois da reabertura do aeroporto de Tocumen, mas que ainda podem ocorrer atrasos e mudanças de itinerário.
À TV Diário, a companhia afirmou que quatro voos com destino a Tocumen estavam atrasados neste sábado por causa do terremoto.
O que acontece agora
André recebeu a informação de que as conexões pelo Panamá só devem ser retomadas a partir de terça-feira (13), mas ainda não tinha, até o momento do relato, previsão confirmada de embarque nem definição sobre viajar por outra companhia aérea.
O comunicado da Copa Airlines não menciona essa restrição às conexões. Outros brasileiros também aguardam, no mesmo aeroporto, uma definição sobre suas viagens.
Em casos de força maior como terremoto, a Anac reduz o direito à indenização financeira, mas mantém a obrigação de assistência ao passageiro.
O tremor também motivou, nesta semana, uma análise sobre por que ele não está entre os maiores já registrados na região, apesar da magnitude — como mostrou a TV Sim Brasil.





























