A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou neste sábado (10) que suspender as sanções sobre o diesel russo "proporciona a Moscou mais receitas para fazer a guerra" contra a Ucrânia, resposta ao acordo que Trump anunciou com a Rússia na sexta (9).
"Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará", escreveu Kallas na rede social X, segundo a Folha. Ela não deu detalhes sobre novas medidas da UE além de manter as sanções já em vigor.
Trump anunciou a liberação do diesel russo após ligação de 1h30 com Putin na noite de sexta. Segundo ele, a Rússia vai fornecer "imediatamente" 300 mil toneladas, mais 500 mil em novembro e 1 milhão "logo depois", até 4,8 milhões de toneladas ao todo.
Na prática, o ato suspende por seis meses, até abril de 2027, as restrições à venda e importação de diesel russo. A suspensão vale só para os EUA: as sanções da UE e do Reino Unido sobre o diesel russo seguem em vigor.
O mercado reagiu pouco ao anúncio. Os futuros de diesel nos EUA caíram cerca de 4% na sexta, mas ainda ficam mais de 110% acima do início do ano. O petróleo Brent recuou apenas 0,3%, perto de US$ 104 por barril.
O que o acordo muda no Brasil
O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e a alta internacional do combustível já elevou o preço do diesel em 7% em um mês no país, chegando a R$ 7,35.
Desde março, o governo federal paga um subsídio de R$ 1,00 por litro ao diesel A para importadores e produtores equalizarem custos.
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Em setembro, o preço do diesel cobrado pela Petrobras já estava R$ 3,89 por litro abaixo do preço internacional, nível que a Abicom, associação do setor, chamou de recorde de defasagem.
A diferença desestimula a importação e ameaça o abastecimento no período de plantio no Sul do país.
Analistas ouvidos pela revista Fortune avaliam que o volume de diesel liberado por Trump equivale a apenas um dia e meio de consumo americano e não deve derrubar os preços de forma relevante. Um deles comparou o efeito a "reorganizar as cadeiras no Titanic".
O que acontece agora
Ministros da União Europeia devem aprovar na segunda-feira (12) um novo pacote de sanções à Rússia, que seria o maior desde o início da guerra, segundo a Alemanha, que defende manter a pressão sobre Moscou.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamou o acordo entre Trump e Putin de "presente" ao russo e disse que a Rússia vai retribuir o diesel "com mais terror". A Ucrânia já ampliou ataques a refinarias que bancam a guerra russa nas últimas semanas.





























