O furacão Isaías, de categoria 3, avança pelo Golfo do México nesta sexta-feira (9) e ameaça refinarias dos Estados Unidos que respondem por 2,4% do refino do país. A tempestade suspendeu 1,3 milhão de barris diários de petróleo na região.

Há tolerância zero para qualquer interrupção agora. Se perdermos uma refinaria, mesmo que por apenas algumas semanas, isso pode se manifestar em preços muito altos muito rapidamente.

A frase é do consultor de energia Tom Kloza, da Gulf Oil. Segundo analistas da Jefferies, o episódio atinge um sistema de combustíveis já pressionado pela guerra no Oriente Médio e pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Duas refinarias concentram a maior preocupação: a da Chevron em Pascagoula, no Mississippi, e a da Vertex em Mobile, no Alabama. Juntas, processam 466 mil barris por dia, segundo o analista do setor Andy Lipow.

O furacão já retirou dois terços da produção de petróleo do Golfo do México.

A trajetória da tempestade desviou para o leste nas últimas horas. Isso deve poupar a maior parte das refinarias da Louisiana, mas Chevron e Vertex seguem monitorando o risco de alagamento e queda de energia em suas unidades.

O que muda no bolso do consumidor brasileiro

O diesel vendido pela Petrobras já está 72% mais barato que o preço internacional, uma defasagem de R$ 2,61 por litro, segundo a Abicom. Com o Brent em US$ 104,72, essa distância tende a crescer.

Isso pressiona as empresas que importam combustível para repor estoque, porque o preço pago lá fora sobe mais rápido do que o preço vendido aqui dentro. Executivos do setor de distribuição citados pela Abicom temem restrições localizadas de oferta e distorções regionais no mercado brasileiro.

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Para o mês que vem, já estão previstas importações de 120 mil metros cúbicos de diesel pelo país. A própria Petrobras responde por 75% desse volume e arca sozinha com boa parte do custo de manter o preço interno represado.

A alta do Brent soma-se à disparada do petróleo após a ameaça dos EUA ao Irã, que já vinha pressionando o câmbio e os combustíveis no país.

O que acontece agora

A Petrobras não anunciou reajuste no diesel até a publicação desta reportagem. Analistas dividem opiniões sobre o cenário nos Estados Unidos.

Se a tempestade causar danos limitados, as refinarias seguem operando parcialmente e os preços nos EUA sobem só alguns centavos. Se Chevron e Vertex pararem por completo, a retomada pode levar semanas.

O episódio repete o padrão de setembro, quando os ataques houthis a instalações sauditas já haviam pressionado o diesel no Brasil.

Na época, o aperto reacendeu a discussão sobre a defasagem entre o preço doméstico e o internacional, a mesma conta que volta a pesar agora.