Um programa estruturado de exercícios físicos, com acompanhamento de treinador por três anos, reduziu em 37% o risco de morte entre pacientes com câncer de cólon, segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) em junho de 2025.

A pesquisa acompanhou 889 pacientes em 55 centros do Canadá e da Austrália. Entre os participantes do programa, 90% estavam vivos após oito anos, contra 83% no grupo de controle, que recebeu apenas material educativo sobre saúde.

A sobrevida livre de doença, sem recidiva do câncer, também foi maior no grupo que se exercitou. O estudo, batizado de CHALLENGE, foi conduzido por Christopher Booth, oncologista da Queen's University, no Canadá.

"Se tivéssemos um medicamento com um benefício dessa magnitude, ele imediatamente se tornaria o tratamento padrão e seria coberto" pelas seguradoras, disse Booth.

Nos Estados Unidos, hospitais já adaptam a descoberta à prática clínica. Lee Colker, de 66 anos, paciente em tratamento para câncer colorretal metastático em Pittsburgh, participa de sessões virtuais de exercício com uma treinadora especializada em pacientes oncológicos.

"Isso foi decisivo para mim", afirmou Colker sobre o programa, oferecido pelo centro médico da Universidade de Pittsburgh. A recomendação veio da própria equipe médica responsável pelo tratamento.

Por que o exercício compete com remédios caros

O programa de exercícios custou cerca de US$ 3.000 por paciente (por volta de R$ 15 mil) e, segundo um estudo posterior, também gerou economia para o sistema de saúde.

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"Um sucesso absoluto", resumiu Scott Ramsey, pesquisador e economista da saúde do Fred Hutch Cancer Center, nos Estados Unidos.

A comparação acende um alerta sobre o custo dos tratamentos contra o câncer. O medicamento daraxonrasib, para câncer de pâncreas, custa US$ 480 mil por ano e tem efeitos colaterais desagradáveis.

Prolonga a vida por alguns meses, mas não aumenta a sobrevida geral no longo prazo, diferente de outro remédio aprovado recentemente pela Anvisa, que reduz o avanço do câncer de mama em 56%.

As diretrizes já recomendam que oncologistas orientem pacientes com câncer de cólon a fazer 150 minutos semanais de exercício moderado a intenso. O obstáculo é que os planos de saúde não têm mecanismo para pagar por esses programas, o que limita o acesso.

No Brasil, relatos como o da paulistana Ana Carolina Godói, diagnosticada com câncer de mama aos 32 anos, mostram pacientes recorrendo à atividade física por conta própria, sem um programa estruturado como o do estudo canadense.